TSE poupa eleitas no AP em caso de fraude na cota de gênero mas adia tese geral

TSE poupa eleitas no AP em caso de fraude na cota de gênero mas adia tese geral

Política

O Tribunal Superior Eleitoral flexibilizou uma regra importante relacionada às disputas proporcionais ao julgar um recurso oriundo do estado do Amapá. A decisão evitou a cassação integral de uma chapa que cometeu fraude na cota de gênero, optando por preservar o mandato da candidata eleita.

julgamento no amapá preserva mandato feminino

Durante a sessão realizada em Brasília, o plenário negou por unanimidade o pedido para cassar todos os registros e votos da chapa do Podemos nas eleições de 2022 para a Assembleia Legislativa do Amapá. O processo apontou o uso de candidaturas fictícias para cumprir o percentual mínimo exigido por lei.

O relator do caso destacou que, embora tenha ocorrido a irregularidade com o registro de nomes laranjas, a parlamentar eleita e as demais concorrentes que disputaram de forma legítima não devem ser punidas com a perda do mandato. A medida evitou que candidatas que cumpriram suas campanhas de boa-fé fossem penalizadas pelos atos da legenda.

mudança de entendimento e debate sobre o rigor

A jurisprudência atual, consolidada em 2024 sob a gestão do ministro Alexandre de Moraes, determinava a anulação de toda a chapa e a cassação de todos os eleitos em casos de fraude à cota de gênero. No entanto, a nova composição do tribunal sob o comando de Kassio Nunes Marques tem avaliado que a medida anterior gerava distorções severas.

Para a nova corrente formada na corte, punir candidatas que obtiveram votações expressivas e prestaram contas corretamente esvazia o objetivo da ação afirmativa. A proposta em discussão visa punir os responsáveis diretos pela fraude com a inelegibilidade e caçar os mandatos masculinos decorrentes do quociente, mantendo as mulheres no poder.

impasse sobre tese geral e novos recursos

Apesar da decisão específica sobre o caso amapaense, o tribunal optou por adiar a fixação de uma tese jurídica com validade geral para todos os tribunais do país. Os ministros ponderam que há um volume expressivo de novos recursos previstos para chegar à corte, inclusive referentes aos pleitos municipais recentes.

Setores do tribunal também manifestaram receio de que a flexibilização envie um sinal ambíguo aos diretórios partidários. A discussão central permanece em equilibrar o combate rigoroso às fraudes eleitorais com a proteção efetiva da representatividade feminina nos espaços políticos brasileiros. Saiba mais detalhes na cobertura completa da Folha de S.Paulo.