A Justiça Federal aceitou a denúncia contra 18 pessoas investigadas por participação em um esquema de tráfico de drogas que utilizava aviões de pequeno porte para transportar entorpecentes até o Rio Grande do Sul. Segundo a Polícia Federal, a organização envolvia pilotos, traficantes e pessoas responsáveis por aeródromos e pistas de pouso e decolagem.
A investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes identificou uma rota que começava no Paraguai, passava pelo Paraná e chegava ao território gaúcho. De acordo com a Polícia Federal, as drogas eram transportadas em aeronaves de pequeno porte e depois distribuídas para abastecer facções criminosas do estado.
Liderança mantida de dentro da prisão
Um dos investigados apontados como líderes do grupo é Fernando Luiz Doval Júnior, identificado como chefe da organização criminosa. Ele foi preso em 2023, no Rio de Janeiro, por policiais gaúchos, enquanto almoçava em um restaurante na Barra da Tijuca. Na época, era considerado um dos principais foragidos do Rio Grande do Sul e era procurado pela Interpol.
Depois da prisão, o suspeito foi encaminhado à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, na Região Carbonífera do estado. Segundo a Polícia Federal, mesmo detido, ele continuou a comandar as atividades do grupo e contou com a ajuda de um celular que teria chegado até a cela por meio de um drone.
Uso de aeródromos e pistas clandestinas
A Polícia Federal identificou o uso de diferentes estruturas de pouso e decolagem no Rio Grande do Sul, incluindo o Aeroclube Albatroz, em Osório, no Litoral Norte. Um dos responsáveis pelo local receberia pagamentos mensais para permitir a utilização da infraestrutura pelo grupo criminoso para testes e manutenção de aeronaves.
A investigação também apontou uma pista clandestina entre os municípios de Palmares do Sul e Mostardas, no Litoral Sul. Outros aeródromos menores, em Eldorado do Sul e Novo Hamburgo, também apareciam na rota devido ao controle menos rigoroso em comparação aos aeroportos comerciais.
Origem das apurações e desdobramentos
O caso ganhou maior repercussão após a apreensão de 35 quilos de cocaína em outubro de 2023, localizados dentro de malas em uma aeronave fretada no Aeroporto de Caxias do Sul, na Serra gaúcha. A partir daquele episódio, as autoridades aprofundaram o rastreio da rede criminosa.
Em agosto de 2026, uma operação cumpriu diversas prisões e o material foi encaminhado à Justiça Federal, tornando os investigados réus por tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa de Fernando Doval Júnior informou que pretende demonstrar a equivocação das acusações ao longo do processo judicial.

