A Prefeitura de Novo Hamburgo deu início oficial às mobilizações do Novembro Azul com uma cerimônia realizada no começo da noite da última quinta-feira (5), no Centro Administrativo Leopoldo Petry. O ato simbólico, que marcou a abertura das ações voltadas à conscientização sobre a saúde do homem e a prevenção ao câncer de próstata, reuniu gestores públicos, profissionais da saúde e a comunidade para debater a quebra de tabus em torno dos exames preventivos.
Organizada por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a abertura contou com a apresentação cultural do grupo de canto Tocando em Frente, vinculado ao CRAS Santo Afonso. Mais do que a iluminação especial que tingiu a fachada da sede da administração municipal em azul — tonalidade que permanecerá acesa ao longo de todo o mês —, o evento serviu como um espaço de diálogo aberto sobre a importância do diagnóstico precoce e da adoção de um estilo de vida saudável.
O desafio contra o preconceito e a resistência masculina
Durante as manifestações, especialistas reforçaram um dos maiores obstáculos enfrentados pelos serviços de saúde pública e privada: a relutância masculina em buscar atendimento médico preventivo. O médico cirurgião-geral e oncológico Carlos Antonello, fundador e presidente da ONG Juntos pela Vida, pontuou que a resistência cultural ainda custa vidas.
“Os homens têm uma tendência a buscar menos a prevenção, que facilita o tratamento das doenças. Há preconceito quanto ao exame de toque, mas ele é necessário”, ressaltou o especialista. Além de enfatizar a importância dos exames de rotina, Antonello lembrou que a prevenção engloba pilares fundamentais do cotidiano, como a manutenção de uma boa alimentação, a redução do consumo de álcool e a prática regular de atividades físicas.
A médica oncologista Ana Paula Thomé, da Oncoprev, também integrou a programação e reforçou a necessidade de acompanhamento médico contínuo, lembrando que muitas enfermidades silenciosas, quando descobertas no início, possuem altas taxas de cura.
Ampliação do debate: interseções na saúde pública
A programação do mês em Novo Hamburgo vai além do foco tradicional no câncer de próstata e busca abranger outras pautas essenciais para a equidade e o bem-estar social. A secretária municipal de Saúde, Betina Espindula, destacou a pluralidade do momento vivenciado no município.
“Estamos em um momento simbólico para falar da saúde do homem, mas também da população negra e da pessoa com diabetes. Que possamos olhar para este mês como uma oportunidade de cuidar do nosso bem mais precioso, que é a vida”, pontuou a secretária, fazendo referência à articulação com o Novembro Negro e às campanhas de conscientização sobre o diabetes.
O evento também contou com a participação de lideranças e técnicos da área, como a servidora pública, técnica de enfermagem e coordenadora da CUFA Novo Hamburgo, Janaína Oliveira, e o enfermeiro Gabriel Santos Duarte, coordenador do Departamento de Promoção à Equidade em Saúde e Saúde da Pessoa Idosa.
Com a fachada iluminada até o final de novembro, o Centro Administrativo Leopoldo Petry permanece como um lembrete visual para a população hamburguense sobre a urgência de colocar a saúde como prioridade, desmistificando barreiras culturais e incentivando o autocuidado em todas as fases da vida.

