O governo do Estado entregou, nesta sexta-feira (23), a LP (Licença Prévia) para o Projeto Natureza, da multinacional chilena CMPC. A iniciativa prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, marcando um dos passos mais importantes para a consolidação industrial na região.
A emissão do documento foi conduzida pela Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), vinculada à Sema (Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura), após análise técnica dos estudos ambientais do empreendimento. A cerimônia oficial ocorreu no Palácio Piratini, reunindo figuras centrais da política e do setor empresarial.
Estiveram presentes o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o governador Eduardo Leite, o secretário-adjunto do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marcelo Camardelli Rosa, o presidente da Fepam, Renato Chagas, e o diretor-geral da CMPC Brasil, Antônio Lacerda, além de outras autoridades.
Maior aporte privado da história gaúcha
O empreendimento prevê investimento de R$ 27 bilhões, considerado o maior aporte privado da história do Rio Grande do Sul. A expectativa é que o projeto poderá impulsionar a economia gaúcha com a geração de milhares de empregos e o desenvolvimento de estruturas logísticas associadas à produção e à exportação de celulose.
Além da nova unidade industrial em Barra do Ribeiro, a iniciativa contempla estruturas logísticas, incluindo um terminal próprio para exportação de celulose no Porto de Rio Grande, com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão. A fábrica já existente em Guaíba será mantida, integrando a estratégia de expansão da companhia no Estado.
Conforme as projeções apresentadas, a fase de implantação poderá mobilizar até 12 mil trabalhadores no pico das obras. Para a operação, estão previstos cerca de 800 empregos diretos e 1,5 mil postos de trabalho permanentes de terceiros.
Tecnologia e sustentabilidade na produção
A fábrica foi projetada para produzir 3 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto por ano, utilizando a tecnologia Kraft. Nesse processo, o licor negro, subproduto da fabricação rico em lignina, é queimado em caldeiras de recuperação para gerar energia térmica e elétrica.
A previsão é que a geração energética atenda integralmente às necessidades da unidade industrial, com excedente destinado à comercialização na rede elétrica nacional. O projeto também prevê a destinação de lodos para fertilizantes comerciais e a manutenção de um cinturão verde no entorno.
A logística abrange transporte terrestre de madeira e produtos químicos, além de conexão hidroviária com terminal portuário próprio. Está prevista uma compensação ambiental equivalente a 0,5% do valor de referência do empreendimento, conforme as diretrizes do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação).
Etapas do licenciamento ambiental
O processo de avaliação da licença foi conduzido pela equipe técnica da Fepam, com exames dos estudos ambientais e ampla participação da sociedade. A LP atesta a viabilidade ambiental na fase de planejamento e estabelece condicionantes fundamentais para as próximas etapas.
Com a emissão da LP, a empresa poderá avançar na elaboração dos projetos necessários para solicitar a Licença de Instalação (LI). O documento atual não autoriza o início das obras nem o funcionamento industrial, dependendo de aprovação posterior da Fepam.
A Fepam coordenou, em 29 de janeiro de 2026, a audiência pública do Projeto Natureza, realizada no Parque Municipal Nenê Naibert, em Barra do Ribeiro. O encontro apresentou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) para a comunidade.
A audiência contou com 1.178 participantes presenciais e 1.376 visualizações na transmissão online. O prazo para envio de manifestações foi prorrogado até 13 de fevereiro, totalizando 60 dias de contribuições que integraram a avaliação técnica.
Mais informações sobre os trâmites do licenciamento podem ser acompanhadas diretamente no portal oficial do governo estadual.

