
O desempenho das ações da RD Saúde (RADL3) na B3 tem sido marcado por um movimento de desvalorização acentuada nos últimos meses. Em um período de seis meses, os papéis da companhia registraram uma queda de 25%, distanciando-se do comportamento do Ibovespa, que, na contramão, apresentou uma valorização de 5% no mesmo intervalo. O cenário de incerteza que pesa sobre a varejista farmacêutica tem origem direta na intensa transformação do mercado de medicamentos à base de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras.
De acordo com um relatório recente do Goldman Sachs, o mercado financeiro tem reagido com cautela diante da concorrência crescente no setor. A expiração de patentes, a entrada de novos concorrentes com preços mais competitivos e a política de descontos agressivos adotada por fabricantes de medicamentos como o Mounjaro alimentam o temor de que a redução nos preços médios de venda não seja compensada pelo aumento esperado no volume de unidades comercializadas.
Impacto no ticket médio e projeções de faturamento
A dinâmica do setor de GLP-1 no Brasil passa por uma revisão de expectativas. O Goldman Sachs projeta que o mercado alcance a marca de R$ 17,5 bilhões em 2026. Para 2027, contudo, a estimativa de crescimento do setor foi ajustada de 38% para 32%, com uma projeção de faturamento de R$ 23,1 bilhões no mercado formal.
O ponto central dessa equação reside no ticket médio. A nova projeção aponta para um valor de R$ 900 por unidade, uma redução de 30% em relação à estimativa anterior de R$ 1.300. Embora a expectativa seja de um salto de 37% nos volumes, atingindo 25,5 milhões de caixas, a pressão sobre as margens é evidente. Para a RD Saúde, a previsão é de que a receita proveniente desses medicamentos desacelere, passando de um avanço de 63% em 2026 para 24% em 2027, o que faria com que a categoria representasse 12,5% das vendas totais da empresa.
Rentabilidade e o papel dos medicamentos de referência
A rentabilidade no varejo farmacêutico é altamente sensível à categoria do produto. Medicamentos de referência, como o Mounjaro, da Eli Lilly, mantêm uma margem bruta de 15%, mas geram ganhos nominais mais expressivos por unidade devido ao seu alto valor agregado. Com um preço médio de R$ 1.680, o lucro bruto por caixa para a farmácia gira em torno de R$ 245.
Em contrapartida, os similares de semaglutida chegam ao consumidor com um preço médio de R$ 420. Com margens de comercialização situadas entre 15% e 20%, o ganho nominal é reduzido para aproximadamente R$ 70 por unidade, representando uma queda de 50% frente ao patamar do Ozempic. Diferente dos genéricos sem marca, que podem alcançar margens próximas a 50%, os similares exigem investimentos constantes em força de vendas e visitação médica.
Perspectivas de longo prazo e fundamentos
Apesar da pressão de curto prazo, o Goldman Sachs mantém uma visão otimista quanto aos fundamentos da RD Saúde. O banco reduziu o preço-alvo da ação de R$ 28 para R$ 25, mas reafirmou a recomendação de compra, enxergando um potencial de valorização superior a 30% frente aos níveis atuais. A análise destaca que a companhia permanece como uma das principais histórias de crescimento de alta qualidade no setor.
A tese de investimento baseia-se na resiliência da demanda, que possui perfil inelástico, e no envelhecimento populacional, que garante crescimento estrutural. A expectativa é que, com a entrada de novas moléculas similares, o poder de barganha migre gradualmente para as drogarias, permitindo uma recuperação nas margens brutas. No modelo base para 2027, o banco projeta que os medicamentos de GLP-1 respondam por 6,6% do lucro bruto total da rede.
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Fonte: infomoney.com.br
