Vale busca destituir Marcelo Gasparino do conselho por vazamento de dados

Vale busca destituir Marcelo Gasparino do conselho por vazamento de dados

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O cenário corporativo da Vale (VALE3) enfrenta um novo capítulo de turbulência interna. A mineradora anunciou, na noite de 22 de julho, que o conselho de administração iniciou um processo para destituir o conselheiro Marcelo Gasparino da Silva. A medida ocorre apenas um dia após o advogado ser derrotado na disputa pelo comando do colegiado, evidenciando um desgaste profundo nas relações de governança da companhia.

Segundo o fato relevante divulgado pela empresa, a decisão baseia-se em uma investigação conduzida por um escritório independente, que apontou o vazamento de informações confidenciais por parte de Gasparino. O episódio estaria relacionado à reunião do conselho realizada em 19 de junho, data em que ele e Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, formalizaram suas candidaturas à presidência do conselho.

Investigação e processos de governança na Vale

A apuração que culminou no pedido de destituição contou com o suporte do Comitê de Auditoria e Riscos (CARE) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade da mineradora. A empresa sustenta que o comportamento do conselheiro violou a Política de Gestão de Desvios de Conduta da organização, o que motivou o seu afastamento imediato dos comitês de Indicação e Governança e de Pessoas e Remuneração.

Como a destituição de um membro do conselho de administração exige ritos específicos, a mineradora informou que a sanção final depende de deliberação em Assembleia Geral. O documento foi assinado por Marcelo Feriozzi Bacci, vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores. O mercado reagiu com cautela, com os ADRs da companhia operando em queda logo após a divulgação do fato, refletindo a instabilidade no topo da gestão.

Contexto da disputa pelo comando

A crise atual é o desdobramento de um processo que ganhou tração em 11 de junho, quando a Previ — fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil e acionista de referência com 6,80% do capital — solicitou a convocação de uma assembleia para destituir o então presidente do conselho, Daniel André Stieler. Stieler, que ocupava a posição desde 2023, acabou renunciando ao cargo no início de julho, após um período de intensos embates.

Na assembleia decisiva realizada em 22 de julho, a vitória de Ollie foi consolidada em apenas 33 minutos. O candidato apoiado pela Previ angariou quase 2 bilhões de votos favoráveis, enquanto Gasparino, que atuava como vice-presidente do conselho, obteve cerca de 1 bilhão de votos. A derrota de Gasparino na eleição interna, somada à acusação de quebra de sigilo, coloca um ponto de interrogação sobre o futuro do conselheiro na estrutura da mineradora.

Histórico de condutas questionadas

Este não é o primeiro episódio em que o nome de Marcelo Gasparino aparece associado a denúncias de vazamento de dados estratégicos. Em 2025, durante sua atuação na Axia Energia (antiga Eletrobras), o advogado foi alvo de sanções após a exposição de documentos e conversas sigilosas via WhatsApp com jornalistas. Naquela ocasião, ele também recebeu advertências por críticas públicas à eleição do conselho de administração, o que foi classificado pela empresa como falta grave.

A reincidência do comportamento reforça a preocupação de investidores com a governança corporativa em grandes companhias de capital aberto. Acompanhe o Conexrs para mais atualizações sobre os desdobramentos deste caso e outros temas relevantes do cenário econômico nacional. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística séria, contextualizada e transparente sobre os fatos que movimentam o mercado.

Fonte: seudinheiro.com