O mercado de café brasileiro vive um momento de transformação significativa, especialmente no que diz respeito ao café conilon. Historicamente associado a volumes industriais e commodities de menor valor agregado, o grão ganha agora um novo protagonismo no Espírito Santo. O estado, que é referência nacional na produção desta variedade, lançou a 1ª Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup em Volume, uma iniciativa inédita que busca conectar produtores a compradores interessados em grandes lotes de alta qualidade.
A estratégia marca um distanciamento dos tradicionais concursos de qualidade, que costumam premiar apenas pequenas quantidades de café especial. Desta vez, o foco está na escala comercial. A proposta é provar ao mercado que é possível aliar a produtividade do conilon a padrões sensoriais elevados, garantindo que o produto chegue às prateleiras e torrefações com valor agregado superior. A iniciativa é conduzida pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
A estratégia por trás do conilon de alta qualidade
O setor cafeeiro capixaba tem investido pesado em tecnologia e melhorias nos processos de pós-colheita nos últimos anos. O objetivo é superar o estigma de que o conilon seria apenas um café de base, demonstrando que, com manejo adequado, o grão pode atingir notas sensoriais complexas. A mostra surge como o elo final dessa cadeia, oferecendo visibilidade para o trabalho realizado nas lavouras.
Segundo o secretário de estado da Agricultura, Enio Bergoli, o movimento fortalece a imagem do café capixaba tanto internamente quanto no exterior. Ao aproximar quem produz de quem compra, o estado cria um ambiente de negociação direta, eliminando intermediários e permitindo que o produtor seja remunerado de forma mais justa pela qualidade que entrega em larga escala.
Regras e critérios para participação
Para garantir a seriedade do evento, o regulamento estabelece critérios rigorosos. Podem participar produtores individuais, cooperativas e associações sediadas no Espírito Santo. O requisito fundamental é o volume: cada lote inscrito deve conter, no mínimo, 420 sacas de 60 quilos da safra atual. Essa exigência assegura que os compradores encontrem a regularidade necessária para suas operações industriais ou de varejo especializado.
As amostras enviadas pelos produtores passam por um crivo técnico. Provadores certificados realizam análises físicas e sensoriais detalhadas, garantindo que apenas lotes que atendam aos padrões exigidos pelo Fine Cup sigam para a etapa de negociação. As inscrições, que são gratuitas, seguem abertas até o dia 28 de agosto nos Escritórios Locais de Desenvolvimento Rural (ELDRs) do Incaper.
Rodada de negócios e o futuro do setor
O ponto alto da iniciativa ocorrerá no dia 17 de setembro, quando será realizada a mostra propriamente dita. Compradores convidados participarão de sessões de cupping, onde poderão avaliar pessoalmente os lotes habilitados. A dinâmica é focada em negócios: a Seag e o Incaper atuam como facilitadores, criando o ambiente propício para que produtores e empresas fechem contratos de compra e venda.
Essa nova etapa para a cafeicultura capixaba reflete uma tendência de mercado onde a rastreabilidade e a qualidade comprovada tornam-se diferenciais competitivos. Para o produtor, o desafio agora é manter a consistência em grandes volumes, um passo fundamental para consolidar o conilon como um produto de excelência. O Conexrs continuará acompanhando os desdobramentos desta mostra e o impacto que ela trará para a economia rural do estado, mantendo você informado sobre as inovações que movem o agronegócio brasileiro.
Fonte: canalrural.com.br
