Clima favorável nos EUA pressiona mercado de soja e derruba preços no Brasil

Clima favorável nos EUA pressiona mercado de soja e derruba preços no Brasil

DESTAQUES Geral

O mercado brasileiro de soja enfrentou uma quarta-feira (29) marcada por baixa liquidez e cautela por parte dos produtores e compradores. A forte desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, impulsionada por previsões meteorológicas favoráveis nas regiões produtoras dos Estados Unidos, reverberou diretamente nas cotações internas. Embora os prêmios de exportação tenham se mantido firmes e a variação do dólar tenha sido contida, o cenário resultou em recuos médios de R$ 2,00 por saca em diversas praças do país.

Impacto climático e a queda em Chicago

A pressão sobre os preços internacionais tem origem direta no cinturão agrícola norte-americano. Relatórios da Dow Jones indicam que a previsão climática para os próximos dias aponta para chuvas mais abrangentes e temperaturas amenas no Meio-Oeste e na porção leste das Planícies dos Estados Unidos. A chegada de uma massa de ar frio no próximo final de semana é vista pelos analistas como um fator decisivo para reduzir o estresse hídrico e térmico das lavouras.

Com a melhora nas condições de desenvolvimento da safra, o mercado financeiro optou por retirar o chamado prêmio de risco climático, que vinha sustentando patamares de preços mais elevados nas últimas semanas. Esse ajuste técnico, somado ao otimismo com a produtividade americana, provocou uma onda de vendas que derrubou os contratos futuros de soja na bolsa de referência global.

Reflexos nas praças brasileiras

No cenário doméstico, a reação foi imediata, embora contida pela estabilidade cambial. Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, a sessão foi caracterizada pela escassez de negócios. Com poucos participantes ativos, as ofertas registradas foram majoritariamente nominais, refletindo a dificuldade de precificação em um dia de alta volatilidade externa.

As quedas foram generalizadas. Em Passo Fundo (RS), a saca recuou de R$ 142,50 para R$ 140,00, enquanto em Santa Rosa (RS) o preço passou de R$ 143,50 para R$ 141,00. No Paraná, a praça de Cascavel viu a cotação cair de R$ 137,00 para R$ 134,00. O Centro-Oeste também sentiu o impacto: em Rondonópolis (MT), o valor baixou para R$ 128,00, e em Rio Verde (GO), a saca foi cotada a R$ 129,00. Nos portos, que servem como termômetro para a exportação, Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) registraram recuos, fechando a R$ 145,00 e R$ 146,00, respectivamente.

Expectativas para o setor

O mercado agora volta suas atenções para os dados oficiais de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que serão divulgados nesta quinta-feira. A expectativa dos analistas é de que as vendas líquidas fiquem entre 700 mil e 1,8 milhão de toneladas. O resultado desse relatório será fundamental para definir se a pressão de baixa continuará ou se haverá uma correção nos preços diante da demanda global.

Enquanto isso, os contratos para agosto de 2026 encerraram o pregão com queda de 2,80%, cotados a US$ 11,78 por bushel. O farelo e o óleo de soja, subprodutos essenciais para a balança comercial do agronegócio, também acompanharam o movimento de retração. O dólar comercial, por sua vez, fechou em leve baixa de 0,24%, cotado a R$ 5,1088, oferecendo pouco suporte para amortecer as perdas causadas pela desvalorização externa da commodity.

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Fonte: canalrural.com.br