Ansiedade lidera causas de incapacidade entre crianças e jovens brasileiros

Ansiedade lidera causas de incapacidade entre crianças e jovens brasileiros

DESTAQUES Rio Grande do Sul

A prevalência da ansiedade na saúde mental brasileira

Os transtornos de ansiedade consolidaram-se como a principal causa de anos vividos com incapacidade entre brasileiros na faixa etária de 5 a 29 anos. O dado, referente ao ano de 2023, coloca a condição no topo de uma lista que contempla 375 doenças e lesões analisadas pelo estudo Global Burden of Disease (GBD). A relevância do achado reside na abrangência do impacto, que afeta o desenvolvimento educacional, social e profissional de uma parcela significativa da população jovem.

O levantamento, publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, contou com a participação de pesquisadores de instituições de referência, como o Hospital Moinhos de Vento e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O estudo aponta que cerca de 15,6 milhões de brasileiros — o que representa 20,91% desse grupo demográfico — preenchem critérios clínicos para ao menos um transtorno mental. Além disso, 2,5 milhões de indivíduos apresentam quadros relacionados ao uso de substâncias.

Crescimento dos transtornos ao longo do desenvolvimento

O impacto da saúde mental não é estático e apresenta uma curva ascendente conforme a idade avança. Entre crianças de 5 a 9 anos, a prevalência estimada é de 12,06%. Esse índice salta para 18,81% na faixa dos 10 aos 14 anos, atingindo 24,95% entre jovens de 25 a 29 anos. A ansiedade permanece como a condição que mais gera incapacidade em todas essas etapas, enquanto os transtornos depressivos ganham destaque na segunda posição a partir dos 15 anos.

A análise por gênero revela uma mudança importante na transição para a adolescência. Enquanto meninos apresentam maior carga de transtornos mentais nas faixas etárias iniciais, a partir dos 15 anos, a prevalência e os impactos tornam-se mais expressivos entre meninas e mulheres jovens. Esse cenário exige políticas públicas diferenciadas e estratégias de intervenção precoce nas escolas e unidades de saúde.

Mortalidade por autolesão e o desafio da prevenção

Além da incapacidade não fatal, o estudo traz dados preocupantes sobre a mortalidade por autolesão. A pesquisa estima 5.402 mortes anuais entre brasileiros de 10 a 29 anos, com uma incidência significativamente maior entre o público masculino. A autolesão figura como a terceira principal causa de morte prematura entre jovens a partir dos 15 anos, evidenciando a urgência de fortalecer as redes de apoio psicossocial.

Para quem busca auxílio, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece suporte emocional gratuito e sigiloso, disponível 24 horas por dia através do número 188. O serviço é uma ferramenta fundamental para a prevenção do suicídio e acolhimento em momentos de crise.

Limitações dos dados e necessidade de investimento

O levantamento também expõe uma fragilidade estrutural: a escassez de dados nacionais robustos. Das 77 fontes brasileiras consultadas, apenas 66 continham informações aplicáveis à faixa de 5 a 29 anos. A produção científica ainda é concentrada em polos como São Paulo e Rio Grande do Sul, deixando lacunas sobre a realidade de outras unidades da federação e de grupos em situação de vulnerabilidade.

A modelagem estatística utilizada pelo GBD supre parte dessa ausência, mas os autores reforçam que o país necessita de um monitoramento epidemiológico mais descentralizado. Compreender a dimensão real desses transtornos é o primeiro passo para a formulação de estratégias que garantam qualidade de vida às novas gerações. O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos dessas pesquisas e o impacto das políticas públicas de saúde mental no país, trazendo sempre informações fundamentadas para o nosso leitor.

Fonte: agorars.com