Estratégias de campanha na reta final
A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, o clima na propaganda eleitoral na TV atingiu seu ponto de maior tensão. O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) utilizaram o espaço televisivo desta terça-feira (22) para consolidar suas narrativas e tentar conquistar o eleitorado indeciso, que pode definir o resultado do pleito.
Em sua peça publicitária, Flávio Bolsonaro adotou uma postura defensiva ao se colocar como alvo de ataques constantes por parte da campanha petista. O senador alegou que o programa de seu adversário tem se limitado a promover “baixarias” e a editar suas falas fora de contexto. A estratégia, segundo especialistas, busca blindar sua imagem e fidelizar a base de apoio, em um momento em que a disputa entra em sua fase decisiva.
O embate de narrativas e a busca pelo voto
Para o cientista político Aldo Fornazieri, coordenador de pós-graduação na FESPSP, a movimentação de Flávio Bolsonaro é uma manobra preventiva. “É uma estratégia de fidelização e uma estratégia de defesa”, afirma o analista. O objetivo central é garantir que o eleitorado já conquistado não se disperse, enquanto a campanha tenta minimizar o impacto das críticas vindas do campo de Lula.
Do outro lado, o presidente Lula aposta no contraste direto entre sua gestão e o governo anterior. Em sua propaganda, o petista abordou temas sensíveis, como o custo de vida, reconhecendo que a situação econômica atual “não está boa”. A tentativa é de humanizar o discurso, reconhecendo as dificuldades enfrentadas pelas famílias brasileiras enquanto projeta as propostas de seu projeto de reeleição.
Temas centrais e promessas de campanha
A segurança pública e a economia ocupam o centro das atenções no horário eleitoral. Flávio Bolsonaro focou em propostas de endurecimento penal, prometendo a construção de cinco megapresídios federais, a redução da maioridade penal e o aumento da pena para o crime de roubo de celular. A retórica busca dialogar com a sensação de insegurança cotidiana da população.
Já no campo econômico, o senador prometeu medidas como a renegociação de dívidas, a redução de impostos e a queda nas taxas de juros. Segundo Camilo Aggio, pesquisador da UFMG, o senador explora temas que ressoam com o eleitorado ao oferecer soluções diretas para o endividamento, utilizando, inclusive, um subtexto que remete a valores de compaixão e perdão, retirando do cidadão o peso da culpa por sua situação financeira.
O encerramento do programa de Flávio Bolsonaro foi marcado por uma provocação direta, ao anunciar que o espaço seguinte seria ocupado pelo programa de Lula, que, segundo ele, continuaria com os ataques. O senador reforçou a ideia de que sua campanha representa o “Brasil real”, em uma tentativa de deslegitimar o discurso do adversário antes mesmo de sua exibição.
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Fonte: redir.folha.com.br
