Abstenção eleitoral tem recuo expressivo entre idosos e jovens de até 18 anos

Abstenção eleitoral tem recuo expressivo entre idosos e jovens de até 18 anos

Política

A movimentação nas seções eleitorais durante o primeiro turno revelou uma dinâmica diferente entre determinados segmentos demográficos. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que a abstenção caiu entre jovens de até 18 anos, pessoas idosas e eleitores de menor escolaridade em comparação com o pleito de 2022. O comportamento desses grupos destoa do índice nacional, que manteve a trajetória histórica de elevação das ausências.

No cenário consolidado do país, a taxa global de não comparecimento subiu de 20,79% para 21,08%, dando sequência a uma série de aumentos graduais observada desde 2006. Contudo, a mobilização de parcelas específicas do eleitorado contrariou o ritmo médio nacional, alterando a distribuição demográfica nas urnas e influenciando os cálculos das campanhas políticas em disputa.

Queda expressiva entre eleitores com voto facultativo

As reduções mais significativas nas taxas de ausência aconteceram exatamente entre cidadãos desobrigados por lei de comparecer às urnas. No grupo formado por adolescentes de 16 e 17 anos, o índice de faltosos recuou 4,4 pontos percentuais, passando de 17,11% em 2022 para 12,68% neste pleito. O engajamento precoce desse estrato populacional garantiu maior presença nas seções eleitorais.

Comportamento parecido foi verificado entre os eleitores com 70 anos ou mais. A taxa de abstenção dessa faixa etária caiu de 58,86% para 49,19%, representando um declínio acentuado de 9,7 pontos percentuais. Embora ainda concentre o maior percentual absoluto de ausência de todo o cadastro, o grupo ampliou sua participação presencial. Analistas indicam que fatores como barreiras de mobilidade e eventuais defasagens cadastrais referentes a óbitos impactam esses números, embora o envelhecimento populacional eleve o peso da faixa para 10,87% do eleitorado total. Entre as pessoas de 60 a 69 anos, ainda sujeitas à obrigatoriedade do sufrágio, os dados também registraram retração das faltas.

Variações socioeconômicas e o contraste entre diferentes faixas etárias

Na direção oposta, a faixa etária compreendida entre 21 e 24 anos despontou com o maior crescimento de abstenções na comparação com as eleições anteriores. Mais de um quarto desse eleitorado — taxa que alcançou 25,78% — decidiu não comparecer aos locais de votação, acendendo sinais de alerta entre estrategistas partidários sobre o distanciamento da juventude trabalhadora e universitária.

Os dados também expuseram diferenças relativas aos perfis socioeconômicos dos votantes:

  • Menor escolaridade: houve diminuição da ausência nas urnas entre os eleitores menos instruídos em relação a 2022;
  • Maior instrução: eleitores com escolaridade mais elevada acompanharam a alta moderada registrada na média geral do país;
  • Faixa de 25 a 44 anos: registrou leve ampliação da abstenção, mantendo alinhamento ao padrão estatístico observado nacionalmente.

Impactos na disputa de votos e estratégias de mobilização

Os segmentos que exibiram recuo nas ausências — jovens abaixo de 18 anos, idosos e pessoas com menor grau de instrução — coincidem com os nichos em que o presidente Lula historicamente atinge desempenhos favoráveis nas pesquisas eleitorais apuradas pelo Datafolha. Já as parcelas com ampliação nas abstenções, como adultos de 25 a 44 anos e grupos de maior escolaridade, correspondem a fatias demográficas em que o senador Flávio Bolsonaro obteve melhor rendimento eleitoral.

Diante do quadro, articuladores de campanha intensificam esforços operacionais para as etapas subsequentes da disputa. Integrantes do Partido dos Trabalhadores, por exemplo, passaram a incentivar o comparecimento sênior reforçando que a identificação biométrica na urna é aproveitada como prova de vida pelo INSS. O objetivo central consiste em mitigar as faltas nas parcelas demográficas mais favoráveis.

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Fonte: redir.folha.com.br