Infectologista acompanha cliente que ingeriu bolo com rato em confeitaria de Porto Alegre

Rio Grande do Sul

O consumidor que ingeriu fatias de um bolo comprado em uma confeitaria na Zona Sul de Porto Alegre precisou buscar atendimento médico especializado após encontrar um rato morto dentro do alimento. O homem consumiu o produto ao longo de cerca de três dias antes de perceber a presença do animal na massa, segundo informações confirmadas pelas autoridades policiais.

Apesar da gravidade do episódio e do choque da descoberta, a vítima não desenvolveu sintomas imediatos de contaminação alimentar. Mesmo assim, o cliente procurou um infectologista para avaliar os riscos biológicos decorrentes da ingestão do alimento contaminado e precisou iniciar um tratamento preventivo imediato.

Acompanhamento com infectologista e medidas profiláticas

De acordo com a titular da Delegacia do Consumidor, Milena Cimiolli, a vítima iniciou o protocolo preventivo com medicamentos profiláticos para evitar possíveis infecções bacterianas ou parasitárias transmitidas por roedores. A recomendação médica estabelece que o consumidor permaneça sob vigilância e observe a manifestação de qualquer alteração de saúde ao longo dos próximos trinta dias.

A delegada ressaltou que a procura por assistência médica rápida foi fundamental para a segurança clínica do consumidor. Casos envolvendo roedores exigem atenção imediata devido ao risco de doenças graves, como a leptospirose, embora o paciente siga clinicamente estável e sem alterações físicas reportadas até o momento.

Perícia indica que roedor foi assado na massa

As apurações conduzidas pela Polícia Civil apontam que o roedor acabou assado junto com a massa do alimento dentro da unidade localizada no bairro Cavalhada. A hipótese de uma contaminação dolosa ou introdução proposital do animal foi inicialmente descartada pela linha de investigação policial.

O estado do roedor no momento da apreensão reforçou a tese de falha estrutural e operacional na cozinha do comércio. Pedaços da massa assada estavam incrustados em toda a extensão do corpo do animal, o que comprova que o roedor esteve submetido às altas temperaturas do forno durante o preparo. Os peritos consideram praticamente impossível que o bicho tenha entrado na embalagem depois que o produto saiu do comércio.

Vigilância Sanitária flagra fezes e urina na fábrica

A ocorrência foi oficializada cerca de três dias após a ingestão do bolo, momento em que os agentes de segurança acionaram os fiscais sanitários municipais. A inspeção técnica na loja da Casa de Bolos na Cavalhada identificou um cenário de extrema precariedade higiênica, incluindo fezes de roedores depositadas diretamente sobre potes de ingredientes e nos arredores da área de manipulação.

A equipe também detectou marcas de urina de rato no ambiente de produção, além de mercadorias com prazos de validade expirados, estruturas metálicas tomadas por ferrugem e insumos com presença evidente de fungos. As vistorias foram estendidas a outra filial da mesma rede, no Centro Histórico, diante de denúncias anteriores, constatando irregularidades semelhantes.

Prisão em flagrante e posicionamento da defesa

A proprietária da unidade, Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos, chegou a ser presa em flagrante por crime contra as relações de consumo, tipificado pela venda de mercadoria totalmente imprópria para o consumo humano. A empresária obteve liberdade provisória durante audiência de custódia na quinta-feira seguinte, com a condição expressa de cumprir todas as adequações estruturais exigidas pelos órgãos de saúde antes de pleitear uma eventual reabertura.

Em nota oficial, os advogados Hoiama Homem Pareta e Ivan Pareta Júnior afirmaram que o estabelecimento conta há mais de uma década com empresa especializada para dedetização e controle de pragas. A defesa declarou ainda que abriu uma auditoria interna para avaliar detalhadamente os procedimentos sanitários da loja e apurar todas as hipóteses, incluindo a possibilidade de sabotagem por funcionários insatisfeitos.

O monitoramento das condições sanitárias nos estabelecimentos alimentícios é essencial para a preservação da saúde coletiva. Para continuar acompanhando desdobramentos de casos de defesa do consumidor, fiscalização e segurança pública no Rio Grande do Sul, continue conectado à cobertura completa do ConexRS.

Fonte: g1.globo.com