Governo edita medida provisória para renegociar até R$ 100 bilhões em dívidas rurais

Governo edita medida provisória para renegociar até R$ 100 bilhões em dívidas rurais

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O governo federal prepara a publicação, nesta quarta-feira, de uma medida provisória (MP) voltada à renegociação de dívidas do setor agropecuário. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após articulações políticas na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A iniciativa busca destravar o fluxo de crédito no campo e garantir que o Plano Safra, recentemente lançado, ganhe tração imediata junto aos produtores.

A expectativa da equipe econômica é que a medida alcance um volume de até R$ 100 bilhões em renegociações. Segundo Durigan, o Banco do Brasil já está estruturado para receber os agricultores interessados em ajustar seus passivos, permitindo que o setor recupere fôlego financeiro para os próximos ciclos produtivos.

Condições e taxas da renegociação rural

A estrutura da MP estabelece taxas de juros escalonadas de acordo com o porte do produtor e o impacto sofrido por fatores climáticos ou geopolíticos. A regra geral define juros de 6% ao ano para pequenos produtores, 9% para produtores médios e até 12% para os grandes produtores. O cronograma de pagamento estipulado é de oito anos, com um período de carência de dois anos.

Para casos específicos, onde o produtor tenha enfrentado perdas mais severas decorrentes de eventos climáticos extremos, o governo desenhou condições diferenciadas. Nessas situações, as taxas de juros variam entre 5% e 11%, com um prazo total de pagamento estendido para 10 anos. Essa flexibilidade visa amparar agricultores que tiveram a capacidade de pagamento comprometida por intempéries, um desafio recorrente na safra brasileira.

Fundo de garantias e o futuro do crédito

Além da renegociação imediata, o governo sinalizou a intenção de criar, no médio prazo, um fundo de garantias dedicado ao setor. A proposta prevê um aporte inicial de até R$ 2 bilhões por parte da União. O objetivo é oferecer maior segurança jurídica e financeira para as instituições bancárias, facilitando a concessão de crédito em momentos de volatilidade econômica.

A medida é vista como um passo fundamental para a estabilidade do agronegócio, setor que responde por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Ao equalizar as dívidas, o governo espera evitar a inadimplência em massa e manter a produtividade das lavouras em patamares elevados, assegurando o abastecimento interno e a competitividade das exportações.

O Ministério da Fazenda reforça que a articulação com o Legislativo foi essencial para viabilizar o texto da MP. A expectativa agora recai sobre a adesão dos produtores e a agilidade dos bancos em processar os pedidos, garantindo que o alívio financeiro chegue à ponta da cadeia produtiva o mais rápido possível.

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Fonte: infomoney.com.br