Avaliação de aliados aponta que Lula agiu como presidente e não como candidato em sabatina

Avaliação de aliados aponta que Lula agiu como presidente e não como candidato em sabatina

Política

Aliados do presidente Lula (PT) avaliaram nos bastidores que o chefe do Executivo adotou uma postura institucional excessiva durante a entrevista concedida à TV Globo na última quinta-feira (15). Para parte dos correligionários, o mandatário acabou se portando como presidente em exercício em vez de focar na estratégia de campanha rumo à reeleição.

A sabatina, que movimentou o cenário político em Brasília, gerou debates internos sobre a oportunidade de explorar temas de forte apelo eleitoral e fazer contrapontos mais duros aos opositores. A avaliação predominante nos círculos petistas é que o desempenho manteve a sobriedade esperada do cargo, mas deixou de capitalizar trunfos políticos importantes.

Expectativas não atendidas sobre ataques e contrapontos

Diversos petistas ouvidos reservadamente após a transmissão apontaram que a sabatina pedia uma postura mais ofensiva contra os principais concorrentes ao Palácio do Planalto. A expectativa dentro da base governista era de que o chefe de Estado direcionasse críticas mais contundentes ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Entre os temas sugeridos previamente pela equipe de articulação e ignorados pelo presidente no tom desejado estava a menção à relação do parlamentar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Para os aliados, deixar de explorar essas frentes significou abrir mão de um espaço valioso para desgastar politicamente a oposição em rede nacional.

Ausência de destaque para a pauta trabalhista

Outro ponto que gerou estranheza entre os correligionários foi a falta de ênfase na proposta que visa o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso. O projeto havia sido aprovado pelo Senado na véspera da sabatina e representava uma das bandeiras mais populares e de maior apelo social do atual governo.

Os estrategistas da campanha avaliavam que o momento era ideal para associar a imagem do governo a uma conquista de grande impacto para a classe trabalhadora. No entanto, o tema não ganhou a centralidade esperada na condução das respostas dadas pelo presidente durante a entrevista.

Falta de apelo direto por votos e balanço interno

A preparação de Lula para o compromisso televisivo previa orientações claras para que ele buscasse brechas com o objetivo de pedir votos de maneira mais enfática ao eleitorado. Na avaliação de aliados, essa diretriz acabou ficando em segundo plano diante de explicações técnicas e focadas na gestão administrativa.

Apesar da frustração com o que julgam ser oportunidades perdidas no debate público, os governistas ponderam que a participação não resultou em danos significativos. A avaliação geral é de que, embora tenha faltado agressividade eleitoral, o presidente evitou cometer erros grosseiros que pudessem comprometer o andamento de sua campanha política.

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Fonte: redir.folha.com.br