A bancada evangélica na Câmara dos Deputados registra ampliação expressiva para a próxima legislatura, contando com 97 parlamentares que se declaram evangélicos. O crescimento representa 16 deputados a mais do que os eleitos no pleito anterior, fazendo o grupo passar de 15,8% para pelo menos 18,9% das 513 cadeiras disponíveis na Casa, conforme aponta levantamento realizado pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião).
Apesar da expansão, a representação do segmento no Poder Legislativo federal permanece abaixo da proporção registrada na sociedade brasileira. De acordo com dados oficiais, os crentes somavam 26,9% da população com 10 anos ou mais, mantendo a percepção entre lideranças políticas de que ainda existe margem para maior ocupação de espaços de poder institucional.
Renovação e o peso dos influenciadores digitais
O avanço da bancada evangélica traz uma mudança significativa no perfil dos parlamentares, impulsionada por nomes jovens com forte atuação nas redes sociais. Entre os deputados mais votados do país no período estão figuras ligadas ao segmento religioso que construíram bases sólidas na internet.
Nomes como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato figuram entre os principais expoentes dessa nova geração que chega a Brasília. A guinada digital e a polarização em torno de pautas de costumes reconfiguraram as prioridades do grupo, substituindo parcialmente lideranças tradicionais ligadas a estruturas eclesiásticas históricas por figuras midiáticas.
Mudanças na liderança e saída de nomes tradicionais
A reconfiguração do bloco legislativo também foi marcada pelo desgaste de parlamentares que compunham a chamada velha guarda das igrejas no Congresso. Dos cinco deputados que se revezaram na liderança da frente parlamentar nos últimos anos, apenas Sóstenes Cavalcante garantiu a reeleição, contando com apoio político de lideranças religiosas.
Outros nomes expressivos de gestões passadas, como Cezinha de Madureira, Silas Câmara e Eli Borges, não obtiveram sucesso nas urnas ou ficaram na suplência. Essa transição abre espaço para novos atores políticos que criticam métodos antigos e defendem uma comunicação mais direta com a opinião pública sobre temas morais e conservadores.
Outros segmentos religiosos no Congresso
Enquanto a bancada evangélica registrou avanço proporcional, o levantamento do Iser detalhou o comportamento de outras identidades religiosas na composição da Câmara. Os parlamentares católicos registraram a maior expansão em números absolutos, passando de 237 deputados em 2022 para 270 na nova legislatura.
Em contrapartida, houve retração em grupos como os cristãos sem denominação, que caíram de 81 para 64 assentos, além da redução de parlamentares sem religião declarada, que passaram de 12 para 6. Para mais detalhes sobre o cenário político atual, consulte a cobertura completa do portal Folha de S.Paulo.

