Na manhã desta quinta-feira (22), o palco principal do Espaço Conhecimento da 35ª Mercopar foi tomado por um debate urgente sobre o futuro da logística e da infraestrutura de transportes. Promovido pelo BRDE em correalização com diversas entidades representativas, o painel colocou em pauta a urgência de repensar os caminhos por onde circulam a produção e a economia do Rio Grande do Sul.
o fim da concessão atual e o impasse sobre o novo modelo
O ponto central da discussão gira torno de um prazo iminente. A concessão da Malha Sul, atualmente operada pela Rumo, chega ao fim em fevereiro de 2027, com expectativa de uma prorrogação transitória de dois anos até 2029. Enquanto isso, o governo federal discute uma proposta de divisão da malha em três corredores distintos por meio da ANTT.
No entanto, o modelo apresentado por Brasília gerou forte resistência regional. Pela proposta federal, recursos gerados em trechos mais rentáveis no Paraná cobririam déficits em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, mas também enviariam bilhões de reais em excedentes para o governo central, contrariando os interesses locais.
estudo alternativo e a defesa dos recursos regionais
Diante da insatisfação com as diretrizes federais, os três estados do Sul encomendaram um estudo técnico próprio para desenhar um modelo integrado. A proposta busca garantir que todo o capital gerado pela própria operação ferroviária permaneça investido no desenvolvimento e na manutenção do setor na própria região.
Representantes do setor produtivo e de fomento reforçaram que a prioridade não deve ser a resolução de questões fiscais, mas sim a criação de uma infraestrutura competitiva e duradoura para as próximas décadas. Para eles, aceitar um edital inadequado significar comprometer o crescimento econômico por um período de trinta anos.
desafios logísticos e o impacto na indústria gaúcha
A dependência quase exclusiva do modal rodoviário coloca em risco a competitividade da indústria gaúcha, especialmente na Serra Gaúcha. Com conexões ferroviárias cruciais interrompidas por eventos climáticos extremos recentes, o custo logístico da região tornou-se um dos mais elevados do país.
Empresários e lideranças setoriais alertam que a ausência de alternativas logísticas eficientes ameaça a sobrevivência das empresas locais. Testes práticos realizados anteriormente demonstraram reduções expressivas nos custos de transporte ao integrar ferrovias de longo curso, evidenciando o potencial estratégico que o estado precisa recuperar.
a proposta de retomada da malha existente
Como alternativa ao modelo federal de segmentação, o governo estadual defende o fortalecimento de um corredor estruturante focado na recuperação e reativação da malha atual. A estratégia visa integrar rotas históricas e conectá-las por meio de ramais regionais de menor porte para ampliar drasticamente a capacidade de atendimento da demanda industrial.
Com um planejamento voltado para resgatar a capacidade logística do estado, o setor produtivo e o poder público reforçam que investir em ferrovias é um passo indispensável para garantir a competitividade, o escoamento de insumos e o crescimento sustentável de toda a região sulina.

