Safra rebaixa ações do Banco do Brasil, Bradesco e Itaú em revisão geral do setor

Safra rebaixa ações do Banco do Brasil, Bradesco e Itaú em revisão geral do setor

Economia

O Safra resolveu apertar o botão de cautela para os bancos brasileiros diante de um horizonte econômico mais desafiador. Temendo uma piora da economia em 2027, a instituição financeira promoveu uma ampla revisão de suas recomendações para o setor, atingindo gigantes como Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4).

A avaliação conduzida pelos analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre aponta que as instituições precisarão atravessar um cenário marcado por crédito mais fraco, custo de risco elevado e maior pressão sobre a qualidade dos ativos. O Banco do Brasil registrou a mudança mais drástica, passando de neutra para venda, enquanto Bradesco e Itaú perderam suas recomendações de compra.

Recessão no radar da economia

Na visão do Safra, o quadro macroeconômico para os próximos anos inspira preocupação. Os especialistas destacam que as famílias perderam fôlego como motor do Produto Interno Bruto devido ao endividamento elevado e aos juros altos, enquanto o espaço para a expansão dos gastos públicos tende a diminuir.

A possibilidade de recessão em 2027 já faz parte de exercícios de estresse considerados pelo Banco Central. Caso esse cenário extremo se concretize, haverá uma retração relevante no consumo das famílias e nos investimentos corporativos a partir do quarto trimestre.

Motivos da cautela com o Banco do Brasil

No caso do Banco do Brasil, a estatal acumulou o segundo rebaixamento para venda em poucas semanas, repetindo um movimento recente promovido pelo Citi. A principal preocupação apontada envolve a capacidade de geração de capital da instituição, fator que pode limitar o pagamento de dividendos em 2027.

Além disso, o desempenho no agronegócio apresenta taxas de pagamentos em dia estacionadas em 75%, sem sinais claros de recuperação imediata. Cálculos do Safra também indicam que o banco registrou prejuízo antes de impostos no primeiro semestre de 2026, pressionando os indicadores de solidez financeira.

Bradesco e Itaú enfrentam novos desafios

O Bradesco sofreu um corte de recomendação de compra para neutra, com o preço-alvo recuando de R$ 22 para R$ 17. Embora o banco execute bem sua estratégia com empresas, parte desse modelo depende de operações voltadas a pequenas e médias empresas que podem perder suporte governamental.

Mesmo considerado o mais defensivo do setor, o Itaú teve a recomendação rebaixada de compra para neutra, com preço-alvo ajustado para R$ 47. O Safra ressalta que, apesar da resiliência e da proteção oferecida pelo patrimônio líquido tangível, nenhuma instituição está imune aos reflexos de uma eventual recessão.

Nubank como exceção no setor

Entre os concorrentes avaliados, o Inter (INTR) teve sua recomendação neutra mantida com corte de preço-alvo, enquanto o Nubank (NU) emergiu como o único sobrevivente com recomendação de compra. A fintech manteve a preferência dos analistas devido à resiliência de suas carteiras de crédito e ao potencial de expansão de novos produtos no México, embora os investimentos nos Estados Unidos sigam pressionando as despesas de curto prazo. Saiba mais sobre as análises de mercado.