Bets e polêmica sobre padroeira marcam reta final da eleição nas redes

Bets e polêmica sobre padroeira marcam reta final da eleição nas redes

Política

O impacto das pautas inesperadas no debate eleitoral

A reta final do primeiro turno das eleições foi marcada por uma mudança brusca no foco das discussões públicas. Dois temas que não figuravam no radar das campanhas há um mês ganharam protagonismo absoluto: a proibição das apostas esportivas, conhecidas como bets, e um boato envolvendo a figura de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

O cenário de tensão atingiu o ápice no dia 25 de setembro. Naquela data, o governo federal publicou uma medida provisória restringindo o setor de apostas, enquanto, simultaneamente, o ministro André Mendonça, do TSE, determinava a remoção de postagens que associavam o senador Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar o título da santa. A decisão liminar, contudo, foi derrubada no dia 27 pelo ministro Flávio Dino, do STF, que argumentou falta de motivação e proporcionalidade, permitindo o retorno do conteúdo às redes.

A disparidade de alcance entre os temas

Monitoramentos realizados pela Palver em mais de 100 mil grupos públicos de aplicativos de mensagens, somados ao fluxo de dados no X, Instagram e YouTube, revelam que o peso de cada assunto variou drasticamente conforme a plataforma. As bets dominaram o debate de forma transversal, alcançando aplicativos de mensagens e a televisão com picos de engajamento no dia da assinatura da medida.

Em contrapartida, a polêmica sobre a padroeira teve um alcance mais segmentado, sendo o assunto dominante apenas no X. Nas demais redes, o tema sobre a santa ficou em segundo plano, superado pelo volume de discussões sobre a regulação das apostas.

Aprovação da medida versus percepção do governo

Embora a proibição das bets conte com amplo apoio popular — atingindo índices de aprovação que variam entre 65% e 81% em plataformas como WhatsApp, X e Instagram — o crédito político pela medida não acompanha o mesmo entusiasmo. A figura do presidente Lula, dentro desse debate, apresenta uma aceitação significativamente menor, oscilando entre 33% e 54%.

O fenômeno sugere que, para uma parcela expressiva do eleitorado, entre 13% e 23%, a medida é vista com desconfiança ou rotulada como “hipocrisia” eleitoreira, independentemente da opinião favorável ao fim das apostas. Enquanto isso, na grande imprensa, o tom é majoritariamente crítico, com comentaristas apontando que a proibição pode apenas migrar o mercado para a ilegalidade.

O efeito rebote da tentativa de censura

A tentativa de conter o boato sobre a padroeira por via judicial gerou um efeito contrário ao pretendido pela campanha de Flávio Bolsonaro. A ordem de remoção foi classificada como “censura” por uma parcela que varia de 76% a 94% dos usuários nas redes sociais, o que acabou por ampliar o volume da discussão em vez de silenciá-la.

Após a decisão, a narrativa de que o senador teria planos contra a santa permaneceu majoritária em quatro das cinco redes monitoradas. A contraofensiva, no entanto, obteve sucesso em um ponto estratégico: a atribuição da culpa pelo boato. Entre aqueles que desmentem a versão, a responsabilidade migrou da imprensa para o PT, com o governo e a esquerda passando a ser o alvo principal de 88% das menções em aplicativos de mensagens, um salto significativo em relação aos 40% registrados anteriormente.

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Fonte: redir.folha.com.br