Boi gordo mantém trajetória de alta no mercado físico e pressiona escalas de abate

Boi gordo mantém trajetória de alta no mercado físico e pressiona escalas de abate

Geral

Pressão nas escalas de abate impulsiona cotações

O mercado físico do boi gordo encerrou a última sexta-feira (17) com um cenário de valorização expressiva, marcado por um volume significativo de negócios fechados acima da referência média. A dinâmica atual reflete a dificuldade enfrentada pela indústria frigorífica em compor suas escalas de abate, um desafio que tem sustentado os preços em patamares elevados mesmo diante de um consumo interno cauteloso.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a tendência de curtíssimo prazo aponta para a continuidade desse movimento de alta. O setor produtivo observa com atenção o comportamento da oferta, enquanto os frigoríficos tentam equilibrar a necessidade de reposição de estoques com a realidade de margens operacionais pressionadas no mercado interno.

Cenário regional e disparidade de preços

A valorização do boi gordo foi observada de forma heterogênea entre os principais estados produtores do país. Em São Paulo, referência nacional para o mercado, o preço médio alcançou R$ 337,92, superando os R$ 332,17 registrados no dia anterior. Movimento semelhante ocorreu no Mato Grosso do Sul, onde a arroba passou de R$ 330,57 para R$ 333,82.

Em Goiás, as cotações subiram para R$ 318,39, enquanto no Mato Grosso o valor atingiu R$ 317,36. Já em Minas Gerais, o preço médio fechou o período em R$ 313,53. Essas variações demonstram a pressão constante pela oferta de animais terminados, fator que mantém os pecuaristas em uma posição de maior controle sobre o ritmo das negociações.

Desafios no atacado e consumo interno

Enquanto o mercado do boi gordo segue aquecido, o setor atacadista apresenta um comportamento distinto. Durante a sexta-feira, os preços da carne no atacado registraram queda, refletindo a menor demanda típica da segunda quinzena do mês. O consumidor final, com poder de compra limitado, tem priorizado proteínas mais acessíveis, como a carne de frango, o que retira competitividade da carne bovina.

O quarto traseiro, por exemplo, foi cotado a R$ 25,50 por quilo, uma retração de R$ 0,50. O quarto dianteiro manteve-se em R$ 19,00, enquanto a ponta de agulha permaneceu em R$ 18,00 por quilo. Esse descompasso entre o custo da matéria-prima e o preço final ao consumidor coloca as margens da indústria em terreno negativo, exigindo cautela dos agentes econômicos.

Influência do câmbio e expectativas

O mercado de câmbio também desempenha um papel crucial na precificação da arroba. O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,20%, cotado a R$ 5,1100 para venda. A volatilidade da moeda norte-americana, que oscilou entre R$ 5,1054 e R$ 5,1329 ao longo do dia, é um fator que influencia diretamente a paridade de exportação.

A expectativa do setor agora se volta para a próxima segunda-feira (20), quando serão divulgados os dados semanais de exportação. O desempenho das vendas externas é um termômetro fundamental para entender se a demanda internacional será suficiente para compensar a fragilidade do consumo doméstico e sustentar os atuais níveis de preço do boi gordo.

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Fonte: canalrural.com.br