Preço do boi gordo ultrapassa R$ 400 por arroba em outubro com oferta restrita no Brasil

Preço do boi gordo ultrapassa R$ 400 por arroba em outubro com oferta restrita no Brasil

Agro

O mercado brasileiro do boi gordo encerra outubro com forte valorização e novos recordes nominais nas cotações da arroba. A combinação entre oferta limitada de animais prontos para abate, escalas reduzidas nos frigoríficos e expectativa de aumento das compras internacionais, especialmente da China, intensificou a disputa pela matéria-prima e sustentou os preços em importantes regiões pecuárias do país.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, as escalas de abate permaneceram concentradas entre cinco e sete dias úteis, cenário que ampliou a necessidade de aquisição de animais por parte das indústrias e favoreceu novos reajustes no setor.

Disputa acirrada e preços recordes nas praças pecuárias

Em São Paulo, uma das principais referências do mercado pecuário nacional, os preços avançaram para patamares entre R$ 385,00 e R$ 395,00 por arroba, com negócios mais frequentes alcançando R$ 400,00. Segundo a análise, o movimento de valorização não ficou restrito ao mercado paulista e também atingiu as principais regiões produtoras do Brasil.

A disponibilidade mais restrita de bovinos terminados tem sido um dos principais fatores de sustentação das cotações. Com menor volume de animais disponíveis para negociação, os frigoríficos enfrentam dificuldades para alongar suas programações de abate e precisam elevar as ofertas para garantir o abastecimento das unidades industriais. No mercado futuro, os contratos negociados na B3 também refletiram o cenário de valorização, com diversos vencimentos ultrapassando R$ 400,00 por arroba.

Comportamento do mercado atacadista e concorrência

O mercado atacadista de carne bovina acompanhou o movimento positivo observado na arroba do boi gordo e no mercado de reposição durante outubro. A oferta mais restrita contribuiu para elevar os preços dos principais cortes comercializados no atacado. Entretanto, a concorrência com as proteínas de frango e suína continuou limitando reajustes mais expressivos para o consumidor final.

Conforme a avaliação especializada, a menor competitividade da carne bovina em relação às proteínas concorrentes representa um obstáculo para uma valorização mais abrangente no mercado atacadista. Os números mostram que a alta da matéria-prima chegou à carne comercializada pelas indústrias, embora em intensidade diferente entre os cortes disponíveis.

Desempenho das exportações e cenário internacional

Apesar da valorização dos preços no mercado interno, os dados de comércio exterior indicam um desempenho mais moderado das exportações brasileiras de carne bovina em outubro, na comparação com o período anterior. Segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada movimentaram US$ 970,950 milhões nos primeiros dezesseis dias úteis do mês.

A média diária de receita alcançou US$ 60,684 milhões, enquanto o volume embarcado totalizou 154,504 mil toneladas. O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 6.284,30. Para acompanhar as discussões globais sobre o tema, acesse o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para relatórios oficiais.

Perspectivas para a pecuária nacional nos próximos meses

O cenário de outubro evidencia a influência direta da disponibilidade de animais terminados sobre a formação dos preços do boi gordo no Brasil. Com escalas curtas e maior necessidade de compra por parte dos frigoríficos, a arroba ganhou força e alcançou patamares sem precedentes em praças estratégicas.

Para os próximos meses, a evolução das cotações dependerá principalmente da capacidade de recomposição da oferta, do comportamento do consumo doméstico e da efetivação das compras chinesas. Enquanto a oferta permanecer limitada, o mercado físico tende a continuar sensível à disputa entre as indústrias pecuárias.