A bolsa sobe, a bolsa cai, uma pesquisa eleitoral muda o humor dos investidores e, no meio disso tudo, as grandes empresas começam a apresentar seus resultados. A semana foi movimentada para quem acompanha o mercado financeiro — e os leitores ficaram de olho em cada um desses assuntos essenciais para o planejamento financeiro.
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) continuou no centro das atenções, com pesquisas eleitorais influenciando diretamente as expectativas para a bolsa brasileira. Mas não foi só a política que chamou a atenção: a recuperação da Raízen, os números do Bradesco e o calendário da temporada de balanços também despertaram enorme interesse.
Raízen avança na recuperação extrajudicial, mas credores ainda têm dúvidas
A reestruturação da Raízen (RAIZ4) deu mais um passo importante, mas ainda falta responder a uma pergunta fundamental: quanto os credores vão conseguir recuperar no fim de todo o processo? A companhia avançou para a fase de implementação do plano de recuperação extrajudicial, estruturando novas etapas decisivas.
A próxima etapa programada é uma assembleia geral extraordinária (AGE), marcada para 30 de outubro, que vai deliberar sobre medidas relacionadas à capitalização, à conversão de dívidas em ações e à reorganização geral dos negócios. Para os analistas do BB Investimentos, o avanço ajuda a reduzir as incertezas sobre a execução do plano e pode ser positivo para os ativos da empresa na bolsa.
Ainda assim, o valor exato que os credores conseguirão recuperar continua sendo uma incógnita relevante para o mercado. Veja os detalhes na matéria completa sobre a Raízen.
Ibovespa dispara 3 mil pontos em poucos minutos com cenário eleitoral
Bastaram apenas 13 minutos para o Ibovespa subir cerca de 3 mil pontos na manhã de terça-feira (20). O cenário internacional e o comportamento do petróleo ajudaram, mas foi uma pesquisa eleitoral específica que deu um empurrão extra e imediato à bolsa brasileira.
O movimento intenso aconteceu depois que um levantamento do Real Time Big Data mostrou Flávio Bolsonaro com 48% das intenções de voto, contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os candidatos figuravam em evidente empate técnico.
Por volta das 11h, o principal índice da bolsa brasileira chegou a 208.370,77 pontos, registrando alta de 1,60%. Naquele momento exato, o mercado acompanhava de perto os reflexos da disputa presidencial sobre os investimentos.
Bradesco registra bilhões no caixa, mas exige cautela
O Bradesco (BBDC4) está avançando de forma consistente em sua recuperação, mas ainda precisa convencer o mercado de que a melhora de seus resultados veio para ficar. A expectativa em torno do balanço do terceiro trimestre de 2026 trouxe novos elementos cruciais para essa avaliação detalhada.
Entre julho e setembro, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de 14,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), indicador essencial de rentabilidade, chegou a 16,1%, ficando ligeiramente acima das previsões gerais do mercado.
Apesar dos números robustos, as despesas para cobrir possíveis perdas com empréstimos continuaram subindo, enquanto a inadimplência permanece como um ponto sensível de atenção. Com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, o desafio é traduzir esses recursos adicionais em expansão sustentável da atividade bancária.
Pesquisa Quaest traz alerta para o mercado e acirra disputa
Quem acreditava que a disputa presidencial estava tomando um rumo totalmente definido ganhou novos motivos para acompanhar os desdobramentos políticos de perto. O levantamento da Quaest divulgado na quarta-feira (21) apontou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto e Lula com 44%, estreitando ainda mais a margem.
A diferença entre os principais concorrentes caiu de dois para um ponto percentual, consolidando um cenário de acirrado empate técnico. Outro destaque importante foi o crescimento da indecisão entre os eleitores na pergunta espontânea, cujo índice saltou de 13% para 31%.
Para os investidores que apostavam em um cenário político único, os números mostraram que havia incertezas significativas a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25). Como a expectativa eleitoral impacta diretamente os ativos, o noticiário político permaneceu no centro do radar econômico.
Temporada de balanços agita o calendário das empresas na B3
Passada a forte volatilidade gerada pelo calendário político, chegou o momento de os investidores voltarem as atenções para os fundamentos corporativos. A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 começou oficialmente em 20 de outubro e promete intensa movimentação.
Os demonstrativos financeiros ajudam a compreender como as companhias estão superando os desafios macroeconômicos, se os lucros operacionais estão crescendo e quais perspectivas aguardam o mercado acionário. Acompanhar essas divulgações é indispensável para a tomada de decisões assertivas em investimentos.

