Brics manifesta preocupação com conflitos no Oriente Médio e defende reforma na ONU

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Diplomacia e tensões globais em Nova Delhi

Líderes e representantes dos países que compõem o Brics reuniram-se neste fim de semana em Nova Delhi, na Índia, para uma cúpula marcada por temas sensíveis da geopolítica atual. Em um documento final extenso, intitulado “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, o grupo manifestou “profunda preocupação” com a escalada das tensões no Oriente Médio, além de tecer críticas contundentes ao protecionismo comercial e reforçar o pleito por maior representatividade no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O bloco, que hoje reúne 11 nações — incluindo Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã —, detém um peso significativo no cenário global. Juntos, esses países representam cerca de 39% da economia mundial, quase metade da população do planeta e 23% do comércio internacional, o que confere ao posicionamento do grupo uma relevância estratégica inegável.

O desafio da estabilidade no Oriente Médio

Um dos pontos de maior expectativa para o encontro era a postura do bloco diante da guerra iniciada em fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel deflagraram ataques contra o Irã sob a justificativa de desenvolvimento de armamento nuclear. O cenário tornou-se ainda mais complexo após o Irã retaliar com ataques a países alinhados aos EUA, como Arábia Saudita e Emirados Árabes, que também integram o Brics.

Embora a situação seja crítica, a declaração final optou por uma linguagem diplomática cautelosa. No parágrafo 28 do documento, os signatários evitam nomear diretamente os envolvidos ou utilizar o termo “guerra”, preferindo conclamar as partes ao exercício da “máxima contenção” e à abstenção de ações que possam agravar a instabilidade na região. Essa estratégia de redação é comum em fóruns internacionais para garantir o consenso entre nações com interesses divergentes.

A busca por protagonismo no Conselho de Segurança

A reforma da governança global foi outro pilar central das discussões. O Brics defendeu formalmente que o Conselho de Segurança da ONU passe por mudanças para se tornar mais democrático e representativo, ampliando a voz das economias em desenvolvimento. O órgão, responsável pela manutenção da paz mundial, é atualmente composto por 15 membros, sendo apenas cinco permanentes e com poder de veto.

O documento reforçou o apoio de China e Rússia às aspirações de Brasil e Índia de desempenharem papéis de maior destaque na estrutura da ONU. Embora o texto não explicite a concessão de um assento permanente aos pleiteantes, a sinalização política fortalece a posição brasileira nas negociações diplomáticas de longo prazo.

Críticas ao protecionismo e o futuro das trocas comerciais

A política de tarifas unilaterais, que tem impactado o fluxo comercial global desde o início da gestão de Donald Trump nos Estados Unidos, em 2025, também foi alvo de críticas. O Brics manifestou “sérias preocupações” com medidas que distorcem o comércio e violam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil, ao lado de China e Índia, figura entre os países mais afetados por esse cenário de restrições.

Em contrapartida, o grupo avançou na discussão sobre mecanismos de pagamentos transfronteiriços utilizando moedas locais. Contudo, o documento não trouxe propostas concretas para a criação de uma moeda única do bloco ou para a substituição definitiva do dólar, mantendo o foco em soluções práticas para a integração financeira entre os membros.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br