Começou nesta terça-feira (20) o julgamento popular do caso envolvendo a morte de Paula Perin Portes, ocorrida em 2020 no interior do Rio Grande do Sul. Realizada na comarca de Soledade, a sessão do tribunal do júri tem expectativa de durar até quatro dias, mobilizando a comunidade local, autoridades de segurança e os operadores do direito envolvidos no processo.
A jovem tinha 18 anos quando desapareceu e foi posteriormente encontrada morta após dois meses de buscas em uma área rural da região norte gaúcha. O caso gerou ampla repercussão estadual na época, chamando atenção para a violência contra a mulher e os desdobramentos de investigações de homicídios complexos no interior do estado.
Acusação e contexto das investigações
De acordo com a denúncia formalizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a motivação do crime estaria ligada a uma suposta queima de arquivo. Os registros apontam que a vítima teria presenciado a agressão sofrida por uma amiga, passando a ser vista pelos suspeitos como um risco potencial caso revelasse informações sobre o episódio.
Quatro réus sentam no banco dos réus sob a acusação de homicídio qualificado. As qualificadoras apontadas pela acusação incluem o emprego de asfixia, dissimulação e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Um dos réus também responde perante o tribunal pelo crime de ocultação de cadáver.
Testemunhas e etapas do plenário
A condução dos trabalhos em plenário envolve a oitiva de dezoito testemunhas, divididas entre o rol apresentado pela acusação e pelas defesas dos réus. O debate jurídico promete ser intenso devido à extensão dos autos acumulados ao longo dos anos de tramitação processual na Justiça gaúcha.
O processo enfrentou diversas etapas de suspensão antes de chegar a esta fase decisiva. O julgamento acumulou três adiamentos anteriores, incluindo uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que havia paralisado a sessão prevista para abril, fundamentando-se em discussões sobre a validade da produção de provas testemunhais.
Posicionamento das defesas dos réus
As defesas técnica dos acusados — Gesriel da Cunha Wedy, Dionatan Portella da Silva, Micael Willian Rossi Ortiz e João Albino Abegg dos Santos — manifestaram expectativa de absolvição perante o conselho de sentença. Os advogados sustentam que o conjunto probatório apresentado pela acusação carece de consistência e apontam fragilidades na investigação conduzida ao longo dos últimos anos.
Enquanto alguns dos réus respondem ao processo em liberdade por força de decisões judiciais recentes obtidas em instâncias superiores, o tribunal segue reunido para avaliar os depoimentos e as teses jurídicas apresentadas tanto pela acusação quanto pelas defesas.
Para acompanhar atualizações sobre este e outros fatos de relevância para o estado, continue navegando pelo ConexRS, seu portal de referência em jornalismo ágil, confiável e contextualizado.
Fonte: g1.globo.com

