Chuva intensa derruba produção de açúcar no Centro-sul em setembro

Chuva intensa derruba produção de açúcar no Centro-sul em setembro

Agro

O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um período de forte instabilidade produtiva. Dados recentes apontam que as chuvas recorrentes registradas no Centro-Sul, principal região produtora do país, impactaram severamente a colheita e a moagem de cana-de-açúcar durante a primeira quinzena de setembro. O cenário reflete diretamente na oferta de commodities, com uma queda expressiva na fabricação de açúcar em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo levantamento realizado pela Platts, divisão da S&P Global Commodity Insights, a produção de açúcar no período deve ter atingido 2,09 milhões de toneladas. O número representa uma retração de 42,5% frente às 3,6 milhões de toneladas observadas na primeira quinzena de setembro de 2025. O volume reflete as dificuldades operacionais impostas pelo clima, que impedem o tráfego de máquinas pesadas nos canaviais e atrasam o fluxo logístico das usinas.

Impactos na moagem e no rendimento industrial

Além da redução no açúcar, a moagem de cana-de-açúcar também sofreu um recuo significativo. A estimativa dos analistas aponta para o processamento de 29,8 milhões de toneladas, um volume 35,4% menor do que as 46,1 milhões de toneladas registradas em 2025. O excesso de umidade não apenas dificulta a colheita, mas também interfere na qualidade da matéria-prima que chega às unidades industriais.

Um indicador fundamental para o setor, o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), apresentou queda, passando de 154,59 para 147,53 quilos por tonelada. Essa redução no teor de açúcares da cana processada limita a eficiência das usinas, que precisam ajustar suas estratégias de produção entre o adoçante e o biocombustível diante de um cenário de menor disponibilidade de biomassa.

Divisão entre açúcar e etanol

A estratégia das unidades produtoras também foi ajustada diante do cenário climático. Na primeira quinzena de setembro, a destinação da cana foi dividida em 49,85% para a fabricação de açúcar e 50,15% para a produção de etanol. O setor busca equilibrar a oferta de produtos em meio à volatilidade do mercado internacional e à demanda interna.

A produção total de etanol, somando a contribuição do etanol de milho, deve ter atingido 1,89 bilhão de litros, uma queda de 18,7% em relação aos 2,33 bilhões de litros produzidos no mesmo intervalo de 2025. O setor sucroenergético, que é um dos pilares da economia agroindustrial brasileira, segue monitorando as condições climáticas para entender como o restante da safra se comportará diante dessas oscilações.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br