Uma operação da Defesa Agropecuária, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) de São Paulo, resultou na interdição de um viveiro que operava sem as devidas certificações no município de Itaberá, no sudoeste paulista. A ação, realizada na terça-feira (14), culminou na apreensão de 6.480 mudas cítricas que apresentavam irregularidades fitossanitárias, documentais e estruturais graves.
A medida é parte de um esforço contínuo do governo estadual para conter a propagação de pragas que ameaçam a citricultura, um dos pilares da economia agrícola de São Paulo. A presença de viveiros clandestinos é considerada um vetor de risco, pois o material vegetal sem procedência certificada pode carregar doenças incuráveis, como o greening (HLB), capaz de dizimar pomares inteiros e causar prejuízos incalculáveis ao setor.
O combate ao greening e a importância da certificação
O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, reforçou que a prevenção é a única estratégia eficaz contra o greening. Segundo ele, a retirada de circulação de milhares de mudas irregulares é uma medida de proteção direta aos produtores e à manutenção dos empregos gerados pela cadeia produtiva dos citros. A fiscalização atua para garantir que todo material comercializado tenha origem rastreável e atestado de sanidade.
Desde o início dos anos 2000, o estado estabeleceu um rigoroso protocolo para a produção de mudas. As normas atuais, regidas pela Portaria de Defesa 14 de 2023, exigem que os viveiros operem em ambientes telados à prova de insetos vetores, utilizem sistemas de desinfecção para calçados e ferramentas, e garantam que a genética das plantas venha de matrizes cadastradas. Além disso, laudos técnicos devem comprovar que os lotes estão livres de doenças como Phytophtora e nematóides.
Riscos do comércio ambulante e irregular
A Defesa Agropecuária alerta que a venda ambulante de mudas de limão, lima, tangerina e laranja é terminantemente proibida. O comércio de material cítrico exige cadastro específico e a emissão de certificados fitossanitários. A SAA enfatiza que até mesmo uma única planta infectada em um quintal doméstico pode servir como foco de contaminação para grandes pomares comerciais localizados a quilômetros de distância.
Novas diretrizes para o controle fitossanitário
O cenário de monitoramento foi atualizado recentemente com a publicação da Portaria Defesa nº 46 de 2026, no dia 6 de julho. A norma regulamenta a Resolução SAA nº 32/2026 e estabelece uma nova classificação para os municípios paulistas, dividindo-os conforme a incidência do HLB/Greening. Essa segmentação, que separa localidades entre baixa e alta incidência, baseia-se em relatórios semestrais e levantamentos técnicos conduzidos pelo órgão estadual.
Para definir essa classificação, a Defesa Agropecuária considera dados de pelo menos 10% das propriedades cadastradas com cultivo de citros ou, de forma alternativa, resultados obtidos por meio de levantamentos amostrais. O objetivo é otimizar as ações de vigilância, concentrando esforços onde o risco de disseminação da doença é mais elevado.
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Fonte: canalrural.com.br
