Clubes da Série a adaptam uniformes para o retorno do Brasileirão sem patrocínio de bets

Clubes da Série a adaptam uniformes para o retorno do Brasileirão sem patrocínio de bets

Esporte

O Campeonato Brasileiro retoma suas atividades nesta quarta-feira (7), após a pausa para a Data Fifa, sob um cenário de mudanças visíveis nos gramados. Com a entrada em vigor da Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de setembro, que veda a operação de plataformas de apostas online no país, os clubes da Série A foram obrigados a remover a publicidade dessas empresas de seus uniformes, estádios e demais espaços de exposição até o dia 5 de outubro.

Impacto nos uniformes e estratégias de transição

A medida atinge diretamente a estrutura financeira e visual de 14 dos 20 clubes da elite do futebol nacional, que estampavam marcas de apostas em seus espaços nobres. Diante da incerteza sobre a tramitação da MP no Congresso — que tem até 120 dias para deliberar sobre o texto —, as agremiações buscam alternativas criativas para preencher o vácuo deixado pelos patrocinadores master.

O São Paulo e o Fluminense, por exemplo, optaram por uma solução de transição. Ambos, anteriormente patrocinados pela Superbet, passaram a estampar a marca Superscore. A empresa, que pertence ao mesmo grupo econômico, foca em estatísticas e informações esportivas, não promovendo atividades de apostas de quota fixa, o que, segundo o comunicado oficial, permite a permanência da marca enquanto a situação jurídica das bets é analisada.

Movimentações e incertezas no mercado

Outras equipes adotaram posturas distintas. O Botafogo e o Vasco, que se enfrentam nesta quarta-feira, devem utilizar o espaço nobre para promover seus próprios programas de sócio-torcedor. Já o Atlético-MG oficializou o rompimento do contrato com a H2bet, acordo que tinha vigência até 2027 e previa repasses anuais na casa dos R$ 60 milhões. Em contrapartida, o Governo de Minas Gerais anunciou um aporte de R$ 32 milhões para auxiliar clubes mineiros, incluindo o Galo, o América e o Cruzeiro.

A situação do Flamengo, líder do campeonato, ilustra a complexidade do tema. O clube, que possui um contrato de patrocínio com a Betano avaliado em R$ 268 milhões anuais, busca reverter a proibição junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). O montante representa cerca de 13,6% das receitas totais do rubro-negro, evidenciando a dependência financeira que algumas agremiações desenvolveram em relação ao setor.

O peso real das apostas no orçamento dos clubes

Embora a proibição tenha gerado protestos e preocupação nos bastidores, dados da consultoria Convocados mostram que o impacto, embora relevante, não é absoluto. Em 2025, o patrocínio das bets aos clubes da Série A somou aproximadamente R$ 1,03 bilhão, um crescimento expressivo de 66% em relação ao ano anterior. Contudo, esse valor representou apenas 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões registradas pelos times da elite.

O cenário atual impõe um desafio de gestão para as diretorias, que agora precisam equilibrar a conformidade com a nova legislação e a busca por novas fontes de receita. Enquanto o Congresso não define o futuro das apostas no Brasil, o futebol brasileiro segue em campo, adaptando-se a uma nova realidade de patrocínios e expectativas financeiras.

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Fonte: noticiasaominuto.com.br