Paraguai lança crédito industrial a 8,5% ao ano para atrair empresas brasileiras

Paraguai lança crédito industrial a 8,5% ao ano para atrair empresas brasileiras

Agro

Nova estratégia de financiamento para o setor produtivo

O Paraguai deu um passo decisivo para fortalecer sua posição como destino estratégico de investimentos na América Latina. Desde o dia 1º de outubro de 2026, o país colocou em operação o programa Paraguay Industrial, uma linha de crédito de US$ 100 milhões voltada especificamente para o fomento de fábricas, expansão de unidades produtivas e aquisição de maquinário de ponta. Com taxas de 8,5% ao ano em dólares — ou 10,5% em guaranis —, o programa oferece prazos de até 15 anos e um período de carência de três anos, condições desenhadas para atrair empresas de médio e grande porte.

A iniciativa é operada pela Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD) em parceria com o Ministério da Indústria e Comércio (MIC). Para mitigar os riscos e facilitar o acesso ao capital, o governo paraguaio criou o Fundo de Garantia para a Indústria (Fogain), capaz de cobrir até 50% de operações de crédito que alcancem o teto de US$ 2,5 milhões. O mecanismo é um diferencial importante para companhias que buscam viabilizar projetos, mas que enfrentam dificuldades com garantias reais em solo estrangeiro.

Impacto no cenário de investimentos brasileiros

A atratividade do Paraguai para o capital brasileiro não é um fenômeno novo, mas ganha contornos mais sofisticados com a oferta de crédito de longo prazo. Historicamente, o interesse de empresários brasileiros no país vizinho estava concentrado em vantagens tributárias e custos operacionais reduzidos. Agora, a disponibilidade de financiamento competitivo altera o cálculo de viabilidade para quem planeja cruzar a fronteira.

Segundo Suelen Raizer, fundadora da consultoria Frontexa, o cenário exige uma análise técnica apurada. “A atração de capital brasileiro vinha sendo associada principalmente às condições tributárias e aos custos produtivos. Agora, o prazo do financiamento e a disponibilidade de garantias também ganham peso na escolha de onde instalar ou ampliar uma unidade industrial”, explica a especialista.

Análise comparativa e riscos cambiais

Ao comparar o custo do capital, os números revelam uma diferença expressiva. Dados do Banco Central indicam que a taxa média das novas operações de financiamento de investimentos para pessoas jurídicas, via BNDES, situou-se em 13,33% ao ano em julho de 2026. A taxa de 8,5% do programa paraguaio, portanto, apresenta uma diferença nominal de 4,83 pontos percentuais.

Entretanto, especialistas alertam que a escolha não deve ser baseada apenas na taxa de juros. Como a linha paraguaia é denominada em dólares, empresas com receitas majoritariamente em reais ou guaranis ficam expostas à volatilidade cambial. A decisão de investimento deve, portanto, integrar o custo total da operação, o prazo de carência, as garantias exigidas e a moeda em que a empresa realiza suas vendas internacionais.

Crescimento do regime de maquila e presença brasileira

A presença empresarial brasileira no Paraguai já é robusta, especialmente sob o regime de maquila, que permite a produção voltada à exportação com alíquota tributária de 1%. Atualmente, 165 empresas com capital brasileiro, integral ou misto, operam sob esse modelo. Entre janeiro e agosto de 2026, essas indústrias movimentaram US$ 1,01 bilhão em exportações, um salto de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O setor de autopeças lidera o volume, representando 32% das exportações, seguido pelo segmento têxtil e de confecções, com 16%. O Brasil continua sendo o principal mercado consumidor, absorvendo cerca de 60% do que é produzido pelas maquiladoras paraguaias. Com a expansão do crédito, a expectativa é que a integração produtiva entre os dois países se aprofunde ainda mais, consolidando o Paraguai como um hub industrial regional.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br