O peso da corrupção na percepção pública
A corrupção permanece como uma das maiores inquietações da sociedade brasileira. Segundo dados recentes de um levantamento realizado pelo Instituto Não Aceito Corrupção (Inac) em parceria com o Datafolha, 82,7% da população declara estar muito ou extremamente preocupada com o impacto desse fenômeno no país. O estudo, conduzido entre os dias 31 de agosto e 1º de setembro, ouviu cerca de 2.000 pessoas para traçar um panorama sobre a integridade pública e a confiança nas instituições.
Os números detalhados revelam a intensidade desse sentimento: 51,9% dos entrevistados classificam sua preocupação como “muito alta”, enquanto 30,7% a definem como “extremamente alta”. Em contrapartida, apenas uma pequena parcela da amostra, cerca de 8,8%, demonstrou pouco ou nenhum interesse pelo tema, indicando que a pauta é transversal e atinge a quase totalidade do eleitorado.
Escolaridade e renda como fatores de percepção
A análise dos dados aponta que a preocupação com o desvio de recursos públicos e a falta de ética na gestão estatal não é uniforme, variando conforme o perfil socioeconômico. O levantamento mostra uma correlação direta entre o nível de escolaridade e a atenção dada ao tema: enquanto entre brasileiros com ensino fundamental a preocupação atinge 77,8%, esse índice salta para 90,1% entre aqueles que possuem ensino superior.
O mesmo padrão é observado ao analisar a renda familiar. Entre os cidadãos que ganham até dois salários mínimos, a preocupação é de 82%. Já no grupo de renda mais elevada, com ganhos superiores a dez salários mínimos, o índice de preocupação chega a 90,6%. Esses dados sugerem que, embora o problema seja sentido por todas as classes, a percepção sobre a gravidade da corrupção tende a ser mais aguda em estratos com maior acesso à informação e maior nível de instrução.
Contexto de crise e o papel das instituições
A pesquisa foi realizada em um momento em que o noticiário brasileiro foi impactado por casos de grande repercussão, como os escândalos envolvendo o Banco Master e desvios previdenciários no INSS. Esses eventos, que ganham destaque na mídia, acabam por alimentar o debate público sobre a necessidade de mecanismos mais rigorosos de controle e fiscalização.
Para Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, os resultados funcionam como um alerta sobre a necessidade de uma agenda permanente de integridade. “Esse diagnóstico reforça a importância de manter o combate à corrupção como uma agenda permanente, baseada em prevenção, transparência, integridade e fortalecimento das instituições”, afirmou Livianu, destacando que a confiança nas estruturas democráticas depende diretamente da capacidade do Estado em responder a esses anseios da população.
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Fonte: redir.folha.com.br

