Cota de exportação de carne bovina brasileira para a China é atingida e sobretaxa entra em vigor

Cota de exportação de carne bovina brasileira para a China é atingida e sobretaxa entra em vigor

Geral

Impacto da medida no mercado de exportação

O mercado de proteína animal brasileiro enfrenta um novo desafio logístico e comercial após o esgotamento total da cota de carne bovina destinada à China sob o mecanismo de salvaguarda. Na última terça-feira (29), o volume atingiu o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026, acionando automaticamente uma sobretaxa de 55% sobre as exportações excedentes. A medida, detalhada no Anúncio nº 87/2025 do Ministério do Comércio da China, entra em vigor de forma plena três dias após o atingimento do teto.

A aplicação desta tarifa adicional eleva significativamente os custos de entrada do produto brasileiro no mercado chinês. Quando somada à tarifa de importação padrão de 12% e ao imposto interno de 9%, a carga tributária total torna-se um entrave comercial severo. Representantes do setor frigorífico classificam o novo patamar de tributação como proibitivo, o que deve frear o ritmo das vendas externas nos próximos meses.

Articulação política e busca por alternativas

Diante da urgência do cenário, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) intensificou as tratativas com o governo federal. O objetivo é estabelecer um sistema de distribuição mensal das parcelas de exportação, utilizando como critério o histórico de vendas e a participação de mercado de cada empresa frigorífica. A proposta visa conferir maior previsibilidade aos embarques e evitar que o limite anual seja atingido de maneira tão abrupta em anos futuros.

Paralelamente, o governo brasileiro trabalha em uma frente diplomática para viabilizar a utilização de um excedente de 80 mil toneladas que não foi aproveitado pelo Uruguai dentro da cota de 324 mil toneladas concedida ao país vizinho em 2026. A viabilidade dessa operação depende inteiramente de um aval formal das autoridades de Pequim, que ainda analisam o pedido de flexibilização para permitir a entrada da carne brasileira sem a incidência da sobretaxa de 55%.

Perspectivas para os próximos anos

O cronograma de salvaguardas estabelecido pelas autoridades chinesas prevê uma ampliação gradual dos limites para os próximos ciclos. Para 2027, o teto de importação para o Brasil deve ser elevado para 1,128 milhão de toneladas, avançando para 1,151 milhão de toneladas em 2028. Embora o crescimento seja visto como positivo, o setor produtivo alerta que o ritmo de expansão da demanda chinesa por proteína de alta qualidade pode superar essas margens, mantendo o risco de esgotamento antecipado das cotas no radar dos exportadores.

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Fonte: canalrural.com.br