Crise da Casas Bahia atinge fundo imobiliário HSLG11 que entra com pedido de despejo

Crise da Casas Bahia atinge fundo imobiliário HSLG11 que entra com pedido de despejo

Economia

A crise financeira enfrentada pela rede varejista Casas Bahia (BHIA3) transbordou para o mercado de fundos imobiliários, gerando um efeito cascata no HSI Logística (HSLG11). Diante da inadimplência recorrente no pagamento de aluguéis, a administradora e a gestora do fundo decidiram ajuizar uma ação de despejo contra a companhia, buscando retomar a posse de ativos estratégicos. A medida, oficializada na última quinta-feira (8), reflete a tensão crescente entre investidores e empresas em processo de reestruturação.

O conflito gira em torno de dois grandes centros logísticos que compõem o portfólio do fundo: o HSI Log. Contagem, em Minas Gerais, e o HSI Log. São José dos Pinhais, no Paraná. Após um atraso pontual em agosto, que chegou a ser regularizado, a varejista falhou novamente em quitar o aluguel com vencimento em 7 de outubro, acumulando um débito de R$ 4,30 milhões. A reação do mercado foi imediata, com as cotas do HSLG11 registrando queda de 4,16% na sessão, sendo negociadas a R$ 84,06 por volta das 13h.

Impacto da inadimplência no portfólio do HSLG11

A situação coloca em xeque a estabilidade das receitas do fundo. Segundo o relatório gerencial mais recente, a Casas Bahia é responsável por cerca de 30,7% da receita de locação do HSLG11, sendo 27,4% provenientes de contratos diretos e 3,3% de áreas sublocadas. Embora o fundo conte com outros inquilinos de peso, como Mercado Livre (13,3%), Bemol (12,9%) e Assaí (11,8%), a alta concentração em um setor varejista sob estresse financeiro acende um alerta para os cotistas.

Apesar da gravidade, a gestão do fundo mantém uma postura técnica em relação à recuperação judicial da varejista. O HSLG11 esclareceu que, por se tratar de um crédito constituído após o pedido de recuperação judicial, o montante devido possui natureza extraconcursal. Na prática, isso significa que a dívida não deve ser submetida aos descontos ou prazos impostos pelo plano de recuperação judicial da empresa, conforme as normas vigentes na Lei 11.101/2005.

Contexto da recuperação judicial e desafios do varejo

O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, protocolado em 16 de agosto, é o ápice de um longo processo de deterioração econômica. A empresa atribui o cenário atual a um ambiente macroeconômico adverso, marcado pela persistência de taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito e desestimulam o consumo. Esse cenário tem pressionado as margens de lucro de grandes redes de varejo físico em todo o país.

O balanço do segundo trimestre deste ano evidenciou a profundidade do problema, com a companhia reportando um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O valor expressivo foi inflado por R$ 9,1 bilhões em eventos não recorrentes, incluindo baixas de ativos, custos com reestruturação e ajustes fiscais. Para o mercado imobiliário, o caso serve como um lembrete dos riscos inerentes à exposição a inquilinos únicos em grandes galpões logísticos, especialmente em momentos de retração cíclica da economia.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos desta disputa judicial e seus impactos no mercado de capitais. Nosso compromisso é levar até você uma análise clara e contextualizada sobre os fatos que movimentam a economia e o seu bolso. Continue acompanhando nossas atualizações diárias para entender como as mudanças no cenário corporativo influenciam os investimentos e o desenvolvimento regional.

Fonte: seudinheiro.com