A menos de uma semana para o primeiro turno das eleições, o cenário político brasileiro viveu um dia de intensa movimentação nesta segunda-feira (28). Entre articulações estaduais, embates jurídicos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e propostas econômicas, o destaque ficou por conta da desistência do deputado federal Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado em São Paulo.
O movimento, realizado em ato público ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), não apenas reconfigura a corrida por uma cadeira no Congresso, mas também sinaliza uma tentativa de unificação das forças de direita no estado. Com a saída de Salles, que aparecia com 4% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, o apoio foi direcionado aos candidatos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
Reconfiguração de alianças e pressão pela unidade
A decisão de Salles foi celebrada por aliados como um gesto de pragmatismo para evitar a fragmentação do eleitorado conservador. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou a medida como um ato de grandeza. Por outro lado, a oposição reagiu prontamente. Simone Tebet (PSB) criticou o movimento, afirmando que Salles teria se rendido ao Centrão, enquanto Marina Silva (Rede) argumentou que a desistência desrespeita os eleitores e tenta frear o avanço de candidaturas femininas.
Nos bastidores, o governador Tarcísio de Freitas aproveitou o momento para pressionar por uma união nacional em torno do nome de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. A estratégia visa consolidar votos para tentar definir o pleito já no primeiro turno. Embora tenha declarado respeito a candidaturas como as de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), o governador reforçou o apelo por gestos de unidade que, segundo aliados, intensificam a pressão sobre Zema para que abra mão de sua candidatura.
Disputa jurídica e ruídos religiosos
O clima de reta final também elevou a temperatura no Judiciário. A campanha de Flávio Bolsonaro protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no TSE, solicitando a cassação da chapa composta por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin. A acusação aponta suposto abuso de poder político e econômico envolvendo a estrutura do Ministério da Cultura.
Paralelamente, o candidato do PL viu seu nome envolvido em uma polêmica sobre a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Após boatos sobre uma suposta retirada do título, Flávio Bolsonaro negou as informações e criticou a postura da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A entidade, por sua vez, refutou qualquer envolvimento com o episódio, que chegou a gerar um atrito público com Ronaldo Caiado (PSD), que posteriormente recuou de suas críticas ao candidato do PL.
Propostas econômicas e segurança pública
Enquanto a política tradicional se movimentava, outros presidenciáveis focaram em agendas temáticas. Augusto Cury (Avante) criticou a condução econômica atual, defendendo uma política fiscal que permita ao Banco Central reduzir a taxa Selic para o patamar de 7% a 8% em um prazo de 18 meses. Cury questionou a eficácia das pesquisas eleitorais e a polarização entre os principais candidatos.
Já o candidato Renan Santos (Missão) manteve o foco na segurança pública. Em vídeo publicado nas redes sociais, defendeu o uso de força extrema contra facções criminosas em comunidades de Salvador, na Bahia. O posicionamento, que ecoa declarações de lideranças do seu partido, reforça a estratégia de campanha voltada para o combate ostensivo à criminalidade.
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Fonte: seudinheiro.com
