Do corpo às emoções: escola de Porto Alegre promove debate com alunos sobre o início da adolescência

Do corpo às emoções: escola de Porto Alegre promove debate com alunos sobre o início da adolescência

Educação

Segunda edição do Projeto Adolescer do Colégio Anchieta reuniu 240 estudantes do 5º ano em uma mesa-redonda com profissionais das áreas de nutrição, psicologia e medicina

As transformações que acompanham o crescimento vão além das mudanças físicas. Envolvem emoções, descobertas, dúvidas e novas formas de se relacionar consigo mesmo e com os outros. Para abordar essas questões de maneira acolhedora e adequada à faixa etária, o Colégio Anchieta, de Porto Alegre, promoveu na quinta-feira (5) a segunda edição do Projeto “Adolescer: corpo, emoções e relações em transformação”. A atividade reuniu 240 estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental em uma mesa-redonda com profissionais das áreas de nutrição, psicologia e medicina.

A proposta é abrir espaço para que os alunos compreendam melhor as mudanças que marcam a passagem da infância para a adolescência, possam esclarecer dúvidas e desenvolvam recursos para lidar com essa nova etapa. Participaram do encontro a nutricionista Bruna Brognoli, o psicólogo Gabriel Von Ledebur, a pediatra Marcela Botta e a hebiatra (médica especializada em adolescentes) Priscila Amaral, que compartilharam conhecimentos e orientações a partir de suas especialidades.

Na conversa sobre alimentação, Bruna Brognoli abordou a relação entre nutrição, crescimento e saúde, destacando as mudanças nas necessidades do organismo durante a puberdade. Também trouxe reflexões sobre a influência das emoções, da publicidade, das redes sociais e da convivência com os colegas nas escolhas alimentares. A discussão valorizou a diversidade corporal e a importância de construir hábitos saudáveis sem comparações ou julgamentos.

Já Gabriel Von Ledebur tratou da adolescência como um processo de construção da identidade, no qual a busca por autonomia e pertencimento convive com a necessidade de acolhimento e orientação. Entre os temas estiveram o reconhecimento e a expressão das emoções, a autoestima, a influência dos grupos e das redes sociais, além do respeito às diferenças, da empatia e da prevenção ao bullying.

As médicas Marcela Botta e Priscila Amaral explicaram as diferenças entre puberdade e adolescência, relacionando as mudanças hormonais e corporais às experiências dessa fase. Também conversaram sobre os diferentes ritmos de crescimento, os cuidados com sono, alimentação, atividade física e higiene, além da importância de respeitar a intimidade e os limites do próprio corpo. O acompanhamento médico foi apresentado como um espaço de prevenção, escuta e esclarecimento.

Para Maria Helena Botta Romano, de 11 anos, o encontro trouxe novos aprendizados sobre uma fase repleta de descobertas. “As explicações foram muito interessantes e me ajudaram a aprender mais sobre saúde, as mudanças do meu corpo e como lidar com as emoções”, relata a aluna.

Idealizado e coordenado pela orientadora educacional Helenara Diogo, o projeto integra as ações do Serviço de Orientação Educacional voltadas ao desenvolvimento integral dos estudantes. A iniciativa tem como referência o pensamento do psiquiatra, psicanalista e escritor gaúcho José Outeiral, que compreende o adolescer como um processo de construção da identidade, marcado por transformações internas e externas, novas identificações e reorganização dos vínculos familiares e sociais.

“Nosso objetivo é oferecer aos estudantes um espaço seguro de diálogo, no qual possam expressar suas curiosidades, compartilhar inquietações e compreender que as mudanças fazem parte do crescimento. Ao reunir diferentes profissionais, ampliamos o olhar sobre essa etapa e mostramos que cuidar de si também significa reconhecer as próprias emoções, respeitar as diferenças e construir relações saudáveis”, destaca Helenara.

Crédito da imagem: Bruno Oliveira