O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta quarta-feira (15.jul.2026), a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida, confirmada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), marca um novo capítulo de tensão nas relações comerciais entre as duas nações e exclui itens específicos, como carne e café, da lista de taxação.
A decisão gerou reação imediata do setor industrial brasileiro. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgou nota oficial lamentando o cenário e apontando que o agravamento da situação poderia ter sido evitado. Para a entidade, a condução diplomática do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi insuficiente, citando a existência de “ruídos desnecessários” e um desalinhamento político que prejudicou o diálogo com Washington.
Impactos na competitividade e o peso do novo “pedágio”
Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a nova tarifa atua como um “pedágio” adicional sobre empresas que já operam sob uma carga tributária elevada e taxas de juros reais entre as mais altas do mundo. O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado, o que torna a medida um entrave direto à competitividade nacional frente a concorrentes globais.
A federação reforçou que, apesar das tentativas de negociação e da participação em audiências públicas nos EUA ao longo do último ano, a falta de uma postura mais técnica e pragmática por parte do Palácio do Planalto contribuiu para o desfecho desfavorável. A entidade declarou que seguirá buscando formas de reverter ou mitigar os efeitos das tarifas através da diplomacia empresarial.
Investigação comercial e a Seção 301
A sobretaxa de 25% é o resultado final de uma investigação baseada na Seção 301, iniciada pelo USTR em 1º de junho de 2026. O governo norte-americano justificou a medida alegando a existência de práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Entre os pontos de atrito listados pelo órgão dos EUA, destacam-se o funcionamento do Pix, políticas de comércio digital, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Um dos pontos centrais da disputa envolve o sistema de pagamentos brasileiro, que, segundo a avaliação norte-americana, colocaria empresas de tecnologia financeira dos EUA em “desvantagem injusta”. O governo brasileiro, por sua vez, classificou as tarifas como injustas e optou por retirar temas como o Pix da mesa de negociações. Durante as audiências públicas realizadas em Washington nos dias 6 e 7 de julho, o governo Lula não enviou representantes oficiais para discursar, limitando-se à presença de observadores da embaixada.
Histórico de tensões e negociações
Este não é o primeiro movimento de proteção comercial imposto pela gestão de Donald Trump. Desde abril de 2025, o Brasil e outros 125 países enfrentaram tarifas recíprocas iniciais de 10%. O cenário oscilou ao longo dos meses, com revogações e novas imposições, incluindo uma taxa de 40% sobre produtos agrícolas que chegou a ser aplicada em agosto de 2025 e posteriormente revogada em novembro do mesmo ano.
Apesar da criação de um grupo de trabalho conjunto e da realização de cinco reuniões de alto nível com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer — a última delas ocorrida na terça-feira (14.jul) —, o diálogo não foi suficiente para impedir a nova medida. O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos desta crise comercial e os impactos diretos na economia brasileira. Para manter-se informado com análises aprofundadas e notícias relevantes sobre o cenário nacional e internacional, continue acompanhando nossas atualizações diárias.
Para mais detalhes técnicos sobre o posicionamento da indústria, confira a íntegra da nota da Fiesp.
Fonte: poder360.com.br
