O sucesso de uma estação de monta na pecuária de corte não é um evento isolado, mas o resultado de um planejamento rigoroso iniciado muito antes da primeira inseminação. A busca por índices superiores de prenhez exige que o pecuarista integre, de forma estratégica, o manejo nutricional, a condição corporal das matrizes, a sanidade do rebanho e a precisão técnica na execução dos protocolos reprodutivos.
Planejamento como pilar da produtividade
Segundo Luiz Fidelis, coordenador técnico-comercial da IMV do Brasil, a tentativa de implementar protocolos reprodutivos sem uma avaliação prévia das condições do rebanho é um erro que limita a capacidade de correção de falhas. Quando um desvio de performance é identificado tardiamente, o tempo disponível para investigar as causas e oferecer novas chances de gestação às fêmeas torna-se escasso.
O planejamento eficaz deve englobar a avaliação individual dos animais, a oferta de alimento, a qualidade do sêmen e a competência da equipe de campo. Identificar quais fêmeas estão aptas à reprodução, considerando seu estado sanitário e corporal, é o primeiro passo para garantir que a janela reprodutiva seja aproveitada em sua totalidade.
Ressincronização e o ganho de tempo
Um dos diferenciais competitivos na pecuária moderna é a capacidade de oferecer novas oportunidades de inseminação para fêmeas que não conceberam na primeira tentativa. Estratégias de ressincronização permitem que o pecuarista reduza o intervalo entre os procedimentos, ampliando o número de inseminações dentro do período da estação.
Pesquisas recentes, como as conduzidas pelo grupo do professor Guilherme Pugliesi, da Universidade de São Paulo (USP), demonstram o impacto dessas tecnologias. Em um estudo com 760 vacas e 498 novilhas Nelore, a adoção de duas ressincronizações consecutivas permitiu a realização de três Inseminações Artificiais em Tempo Fixo (IATFs) em apenas 48 dias. Os resultados apontaram taxas acumuladas de prenhez de 83,3% para vacas e 77,3% para novilhas.
Tecnologia aliada ao manejo humano
A evolução das técnicas, incluindo o uso de ultrassonografia Doppler, tem permitido que o intervalo entre inseminações seja reduzido para períodos entre 21 e 24 dias. No entanto, especialistas alertam que a tecnologia não substitui a necessidade de um manejo bem executado. A qualidade das doses, o armazenamento correto e a habilidade do inseminador são fatores que, somados à tecnologia, definem o resultado final.
Na monta natural, a atenção deve ser voltada ao exame andrológico dos touros, garantindo que alterações físicas não comprometam o desempenho do lote. A integração dessas ferramentas de diagnóstico com a preparação do rebanho permite que o produtor tome decisões baseadas em dados, ajustando a rota ainda durante a estação de monta, caso os índices estejam abaixo do esperado.
O compromisso com a eficiência reprodutiva é um dos pilares para a sustentabilidade econômica da atividade pecuária. Para continuar acompanhando análises aprofundadas sobre o setor, tendências de mercado e inovações tecnológicas que impactam o agronegócio brasileiro, siga conectado ao ConexRS. Nosso compromisso é levar informação relevante e contextualizada para quem constrói o futuro do campo.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br

