A corrida eleitoral de 2026 ganhou um novo e tenso capítulo jurídico com a decisão da campanha do presidente Lula de acionar o Tribunal Superior Eleitoral. A equipe jurídica petista formalizou uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) contra a chapa de Flávio Bolsonaro, apontando o que classifica como graves episódios de manipulação algorítmica e favorecimento sistêmico nas plataformas da Meta.
Acusações sobre inteligência artificial e ecossistema digital
De acordo com os advogados da coligação governista, ferramentas avançadas como sistemas de recomendação e inteligência artificial generativa — presentes em redes sociais como Instagram, Facebook e WhatsApp — teriam atuado para impulsionar a candidatura oposicionista. A petição destaca que restrições técnicas e bloqueios a anúncios afetaram desproporcionalmente a visibilidade do atual mandatário, enquanto canais do adversário desfrutavam de impulsionamento orgânico automatizado.
A peça jurídica também faz menção a episódios correlatos envolvendo o chatbot Grok, da plataforma X, argumentando que falhas semelhantes na geração de conteúdo digital afetaram a paridade de armas entre os principais concorrentes ao Palácio do Planalto no pleito.
Impacto de engajamento e métricas sob escrutínio
O documento apresentado à Justiça Eleitoral detalha discrepâncias estatísticas consideradas atípicas pelas assessorias técnicas. O texto aponta que o perfil do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), figura de proa na mobilização digital do candidato do PL, acumula visualizações expressivas que superam o alcance de celebridades globais e de outros influenciadores de grande porte na mesma rede.
- Comparações de visualizações entre plataformas distintas
- Diferença proporcional entre base de seguidores e taxa de interação
- Volume de engajamento em vídeos publicados em formatos de curtas
- Análise comparativa de métricas entre os perfis presidenciais
Dados anexados à ação indicam que, mesmo com uma base nominal de seguidores inferior em plataformas digitais, publicações associadas à chapa de oposição registram taxas de curtidas, comentários e visualizações em vídeos consideravelmente superiores às verificadas no perfil oficial da campanha governista.
Respostas corporativas e desdobramentos jurídicos
Em nota oficial divulgada anteriormente sobre o funcionamento de suas tecnologias, a empresa responsável pelas plataformas declarou que atua em estrito cumprimento à legislação eleitoral brasileira. A companhia ressaltou que implementou restrições temporárias e bloqueios em ferramentas de inteligência artificial generativa para evitar a criação automática de imagens e conteúdos vinculados a candidatos durante o período de votação.
O caso agora segue para análise dos ministros do tribunal competente, que deverão avaliar os argumentos sobre abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação social. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras notícias do cenário político nacional, acesse regularmente o ConexRS e fique por dentro das principais atualizações.
Fonte: redir.folha.com.br

