Elena Landau aponta falhas na transição energética e exige nova governança

Elena Landau aponta falhas na transição energética e exige nova governança

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A ex-diretora de Desestatização do BNDES, Elena Landau, teceu duras críticas ao atual modelo de transição energética brasileiro. Durante o painel “Por que energia, minerais e alimentos são uma agenda nacional estratégica”, realizado em São Paulo pela Meridiana, a economista classificou o processo como ineficiente, caro e socialmente desigual.

Para Landau, o entrave central não reside apenas na tecnologia ou na matriz de geração, mas na própria estrutura de tomada de decisão do Estado. A especialista defende que a governança do setor elétrico carece de transparência e está, em grande medida, capturada por interesses setoriais que priorizam a remuneração de agentes em detrimento do consumidor final.

Governança e transparência como pilares

A economista enfatizou que o debate sobre a energia no Brasil precisa ser reiniciado a partir de critérios rigorosos de rastreabilidade. Segundo ela, as decisões públicas no setor elétrico devem seguir etapas claras e verificáveis, garantindo que a alocação de recursos seja feita de forma técnica e não política.

Landau argumentou que o mau funcionamento da governança é um sintoma de uma dificuldade mais ampla do Estado brasileiro em gerir temas complexos e urgentes. A falta de um planejamento estratégico de longo prazo, segundo a ex-diretora, acaba por comprometer a viabilidade econômica de projetos essenciais para o desenvolvimento do país.

Impacto fiscal e o custo da conta de luz

Outro ponto central na análise de Landau é a relação direta entre o estrangulamento fiscal e a política energética. Com o avanço das despesas obrigatórias no orçamento federal, o espaço para investimentos estratégicos torna-se cada vez mais restrito, o que, na visão da economista, torna urgente uma revisão profunda no desenho do gasto público e na reforma da Previdência.

O peso dos encargos na tarifa de energia também foi alvo de críticas. Landau apontou que cerca de 30% da conta de luz é composta por tributos e custos embutidos para cobrir escolhas políticas mal desenhadas. Essa estrutura, segundo ela, penaliza severamente o consumidor cativo, que possui pouca influência política para contestar os aumentos sucessivos.

Distorções na matriz e o desafio da universalização

A economista questionou decisões históricas que, segundo sua avaliação, agravaram as distorções no sistema. Ela citou como exemplo as restrições impostas a usinas com reservatórios na região amazônica, medida que teria forçado a expansão de usinas térmicas — fontes geralmente mais caras e poluentes — para garantir a segurança energética nacional.

Além disso, Landau criticou a atual estrutura de subsídios às fontes renováveis. Ela aponta que existe um descompasso entre o preço marginal da energia e as tarifas contratuais, o que gera ineficiências sistêmicas. Para a especialista, a universalização do acesso à energia deve ser tratada como prioridade, mas de forma que não transfira custos adicionais para a população de baixa renda, que não possui condições financeiras para investir em tecnologias como a geração distribuída.

O debate trazido por Elena Landau reforça a necessidade de um olhar crítico sobre as políticas públicas de longo prazo. No Conexrs, seguimos acompanhando os desdobramentos da agenda econômica e energética do país, trazendo análises fundamentadas sobre os temas que impactam diretamente o futuro do Brasil. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e profundidade.

Fonte: canalrural.com.br