Exportações de sorgo do Brasil disparam com demanda chinesa em 2026

Exportações de sorgo do Brasil disparam com demanda chinesa em 2026

Agro

O agronegócio brasileiro registra um salto expressivo no comércio exterior de sorgo em 2026. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que o país exportou 790,8 mil toneladas do cereal entre janeiro e setembro deste ano, um contraste drástico frente às modestas 105 toneladas registradas no mesmo período de 2025. O protagonismo desse movimento cabe à China, que se consolidou como o principal destino do produto nacional.

A influência chinesa no escoamento do cereal

A China absorveu 755,6 mil toneladas do sorgo brasileiro nos nove primeiros meses de 2026, o que representa 95,5% de todo o volume exportado pelo Brasil. O ritmo de embarques ganhou tração acelerada no segundo semestre: após um volume de 185,4 mil toneladas em agosto, as vendas para o país asiático saltaram para 570,2 mil toneladas em setembro, uma alta de 207,6% na comparação mensal.

Para o produtor brasileiro, a abertura desse mercado externo surge como uma válvula de escape estratégica. Historicamente voltado ao mercado interno e à alimentação animal, o sorgo ganha agora uma escala global. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a safra 2025/26 atingiu 7,35 milhões de toneladas, um crescimento de 20,4% em relação à temporada anterior, acompanhado por uma expansão de 32,9% na área cultivada, que chegou a 2,17 milhões de hectares.

Logística e infraestrutura em transformação

O aumento da demanda internacional forçou uma adaptação rápida na logística nacional. A VLI, por exemplo, iniciou a movimentação ferroviária específica para o cereal, destinando cargas para a China e países africanos. Até setembro, mais de 250 mil toneladas foram escoadas por via férrea, com cerca de 800 mil toneladas já negociadas para transporte futuro.

Essa nova dinâmica também descentralizou o escoamento. Se antes o Porto de Imbituba, em Santa Catarina, concentrava as atenções, hoje o fluxo se distribui por terminais estratégicos como Santos (SP), Paranaguá (PR) e portos da região Nordeste. A diversificação logística é vista pelo setor como essencial para garantir a competitividade e a qualidade do grão até o destino final.

Perspectivas e o futuro da safra

As projeções para o restante do ano são otimistas. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indica uma programação de embarques de 1,44 milhão de toneladas para outubro. Embora o line-up represente intenções de carga e não vendas consolidadas, o número sinaliza que a tendência de alta deve se manter. Especialistas do setor, como a diretora-executiva Comercial da VLI, Carolina Hernandez, estimam que as exportações totais do Brasil possam alcançar a marca de 2 milhões de toneladas em 2026.

O sucesso do sorgo brasileiro no mercado chinês não é um fenômeno isolado, mas o resultado de um amadurecimento da cadeia produtiva. O que antes era uma cultura de nicho, agora se posiciona como um pilar importante da segunda safra, oferecendo liquidez e novas margens de lucro ao produtor rural. O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos desse cenário, trazendo análises, dados atualizados e o impacto das movimentações do mercado internacional para o campo brasileiro. Continue conosco para se manter informado sobre as tendências que moldam a economia do agronegócio.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br