O mercado brasileiro de feijão encerrou um período recente com cotações fortemente influenciadas pela qualidade dos grãos, pela disponibilidade regional e por uma demanda bastante concentrada na reposição de estoques. No segmento do carioca, a valorização ficou restrita principalmente aos lotes superiores, enquanto o preto apresentou firmeza em algumas praças, mas sem compras volumosas suficientes para consolidar altas generalizadas.
Especialistas apontam que os compradores mantiveram uma postura cautelosa, adquirindo volumes estritamente conforme a necessidade imediata ou aguardando entregas já contratadas. Esse comportamento reduziu a liquidez geral do setor e limitou o avanço dos preços dos padrões intermediários, deixando clara a seletividade que impera nas negociações atuais do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Qualidade e seletividade determinam os preços do carioca
A oferta de feijão carioca extra nota 9,5 registrou redução entre as mercadorias expostas. Parte dos lotes disponíveis apresentava baixa umidade e grãos ressecados, o que elevou o nível de exigência dos compradores na hora do fechamento dos negócios.
Mesmo com produtores retendo mercadorias na expectativa de obter valores mais elevados, o movimento de alta não alcançou todos os padrões. O rendimento industrial continuou sendo o fator determinante para a formação das cotações nas principais praças consumidoras.
Diferenças regionais e expectativa na safra paulista
As cotações na origem mantiveram discrepâncias expressivas entre os estados produtores. Enquanto ocorriam negócios pontuais na Bahia para o padrão extra, as demais regiões acompanhadas registraram maior estabilidade nos lotes intermediários.
Além disso, as primeiras informações sobre a produção no sudoeste de São Paulo trouxeram preocupação adicional para a oferta futura. Produtividades iniciais abaixo do esperado e áreas migradas para outras culturas colocaram o setor em alerta quanto ao volume que chegará ao mercado nas próximas semanas.
Cenário do feijão preto e o impacto do clima
O feijão preto apresentou oscilações variadas entre as regiões produtoras e consumidoras, sem desenhar uma tendência uniforme. No Paraná e em Santa Catarina, as variações refletiram diretamente o ritmo de escoamento e a necessidade urgente de abastecimento por parte da indústria.
O avanço do plantio paranaense conviveu com uma redução na parcela de lavouras classificadas em boas condições, além de previsões de queda na área e na produção total. As precipitações irregulares e o comportamento climático continuam ditando o ritmo do calendário agrícola e o rendimento final dos grãos.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

