Fiis de shopping centers enfrentam pressão econômica e exigem cautela dos investidores

Fiis de shopping centers enfrentam pressão econômica e exigem cautela dos investidores

Economia

O setor de fundos imobiliários de shopping centers atravessa um momento de desafio no mercado financeiro brasileiro. Embora os fundamentos operacionais dos ativos permaneçam sólidos, a combinação de inflação persistente e taxas de juros elevadas tem exercido uma pressão significativa sobre o desempenho das cotas e a capacidade de consumo das famílias, forçando o investidor a adotar uma postura mais seletiva.

Em relatório recente, os analistas Caio Araujo, da Empiricus Research, e Matheus Oliveira, do BTG Pactual, apontam que os ativos do segmento continuam sendo negociados com descontos atrativos na bolsa. Atualmente, o preço por valor patrimonial está em 0,85 vez, abaixo da média histórica de 0,93 vez. Esse cenário, somado a dividend yields historicamente elevados, sugere um potencial de valorização caso o ciclo da taxa Selic entre em trajetória de queda.

Desafios operacionais e o impacto no consumo

Apesar de o tráfego de visitantes nos centros de compras manter níveis razoáveis, as vendas têm perdido fôlego, com desaceleração tanto no crescimento nominal quanto no desempenho real. A restrição do crédito e a inflação corroem a renda disponível, o que se reflete diretamente na conversão de fluxo em vendas efetivas dentro das lojas.

Embora os níveis de inadimplência ainda não apresentem uma deterioração generalizada, o BTG Pactual observa avanços marginais nos indicadores em comparação aos anos anteriores. Os especialistas alertam que a inadimplência costuma ser um indicador tardio, manifestando-se quando o comprometimento financeiro dos lojistas já está consolidado. Caso o cenário macroeconômico não apresente alívio, há riscos de pressão sobre os aluguéis percentuais e sobre a capacidade de repasse de reajustes contratuais.

A importância da gestão ativa e seletividade

Para navegar neste ambiente, a recomendação dos analistas é priorizar fundos com portfólios bem localizados e estratégias eficientes de reciclagem de ativos. Um ponto de atenção crucial é a sustentabilidade dos dividendos: muitos fundos têm utilizado ganhos de capital, provenientes da venda de imóveis, para manter os proventos elevados. Na média, as distribuições estão 13% acima do resultado recorrente (FFO), o que pode mascarar a real capacidade de geração de caixa dos ativos.

Entre os fundos destacados pelo BTG Pactual com recomendação de compra, o BPML11 chama a atenção pelo desconto patrimonial e yield de dois dígitos, apesar da exposição a classes de consumo mais sensíveis. Já o GZIT11 foca na conclusão de obras em seu principal ativo, o Internacional Shopping, para impulsionar a receita futura. O HGBS11, com forte presença em São Paulo, mantém uma tese sólida, embora exija monitoramento sobre sua geração de caixa recorrente.

Outros nomes como HSML11, PMLL11 e VISC11 também aparecem no radar, cada um com estratégias distintas de expansão ou reciclagem de portfólio. O VISC11, por exemplo, tem se destacado pela flexibilidade financeira obtida através da venda estratégica de participações em diversos empreendimentos, reforçando seu potencial de distribuição.

Para o investidor, o momento exige olhar além do dividend yield imediato e entender a qualidade dos ativos subjacentes. Acompanhe o ConexRS para seguir recebendo análises aprofundadas sobre o mercado financeiro e os desdobramentos que impactam o seu patrimônio com credibilidade e transparência.

Fonte: seudinheiro.com