A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), entidade que representa o setor supermercadista no Rio Grande do Sul, manifestou preocupação oficial com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a jornada de trabalho na escala 6×1. A medida legislativa, aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), altera dispositivos constitucionais e reduz o limite semanal de horas trabalhadas de 44 para 40 horas, impondo ainda a obrigatoriedade de duas folgas semanais remuneradas aos colaboradores.
Impacto econômico e risco de alta nos preços
Em nota oficial divulgada logo após a deliberação no Congresso, a entidade setorial pontuou que recebeu o avanço da matéria com apreensão. Segundo a avaliação técnica da diretoria da Agas, a nova configuração da jornada laboral deverá provocar reflexos financeiros diretos na cadeia de consumo, gerando pressões inflacionárias e aumentos imediatos nos preços dos produtos comercializados nas prateleiras a partir do início de sua vigência.
O impacto operacional sobre as empresas do setor alimentício abrange a necessidade de readequação de plantões, redimensionamento de equipes e revisão dos custos fixos de operação, fatores que pressionam o orçamento das redes de atendimento ao público no estado.
Reorganização do atendimento e risco aos domingos
Diante do novo cenário normativo, as empresas associadas iniciaram debates internos sobre a viabilidade de manter as portas abertas nos dias tradicionais de descanso. A discussão envolve a redução do horário regular de expediente das lojas físicas e a análise concreta sobre a suspensão total das atividades comerciais aos domingos em diversas unidades gaúchas.
Dados internos preliminares obtidos pela entidade demonstram a adesão imediata de parte do empresariado a essa alternativa de contenção operacional. Uma consulta rápida realizada junto aos filiados revelou que 27% dos supermercadistas consultados já admitem publicamente a possibilidade de encerrar o atendimento ao público aos domingos após a consolidação da nova escala de descanso semanal.
Concorrência e reflexos para o consumidor
Além da restrição no acesso aos estabelecimentos por parte dos frequentadores, o setor alerta para transformações profundas na dinâmica de mercado e na concorrência com outros segmentos econômicos do estado. A limitação no horário de funcionamento dos hipermercados e mercados tradicionais pode abrir espaço para o fortalecimento de canais alternativos de abastecimento.
A entidade destaca que a restrição de atendimento aos domingos poderá impulsionar a competitividade de farmácias, redes de lojas de conveniência e plataformas digitais de comércio eletrônico, alterando os hábitos de compra consolidados das famílias gaúchas e exigindo novas estratégias de adaptação de toda a cadeia produtiva.
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Fonte: g1.globo.com

