O futuro do dinheiro: como a tecnologia molda a próxima revolução financeira

O futuro do dinheiro: como a tecnologia molda a próxima revolução financeira

Economia

A trajetória de Glauber Mota, CEO da Revolut, é marcada por uma transição curiosa: o desejo de juventude de projetar máquinas complexas deu lugar à engenharia de sistemas financeiros globais. Durante o TAG Summit 2026, evento realizado em parceria com o Market Makers, o executivo discutiu como a intersecção entre risco, finanças e tecnologia está redesenhando a relação das pessoas com o próprio patrimônio.

A invisibilidade como meta da tecnologia financeira

Para Mota, o sucesso das fintechs nos próximos anos não dependerá apenas da oferta de produtos, mas da capacidade de se tornarem invisíveis. O executivo traça um paralelo com aplicativos de mensagens, onde o usuário foca na resolução do problema e não na infraestrutura técnica que viabiliza a comunicação. A proposta é que o sistema bancário se torne um facilitador fluido, eliminando atritos em transações cotidianas.

Com uma operação presente em cerca de 40 países e receita de US$ 6 bilhões em 2025, a empresa aposta que a confiança será a moeda mais valiosa do mercado. O modelo tradicional de fidelização, baseado em prender o cliente a taxas e burocracias, está perdendo espaço para uma dinâmica onde a instituição precisa provar, a cada operação, que é a melhor escolha para o usuário.

O papel da inteligência artificial na gestão de ativos

A inteligência artificial surge como o motor dessa transformação. Segundo Mota, a tecnologia não substitui o fator humano, mas atua como um multiplicador de capacidade. Ao lidar com a gestão de riscos e incertezas, a IA permite que bancos processem volumes massivos de dados em tempo real, otimizando desde o combate à lavagem de dinheiro até a personalização de ofertas de investimento.

Um exemplo prático mencionado é o AIR, agente conversacional da Revolut. A ferramenta permite que o cliente delegue tarefas, como a definição de orçamentos mensais baseados em históricos de consumo ou a execução de aportes em jurisdições específicas, sempre respeitando as normas regulatórias locais. A visão é de um agente financeiro autônomo que atua com base em limites de confiança pré-estabelecidos pelo próprio cliente.

Adaptação ao mercado brasileiro e o futuro dos pagamentos

O mercado brasileiro é visto pelo executivo como um laboratório de alta adoção tecnológica. Mota destaca o sucesso do Pix como um divisor de águas que alterou a dinâmica dos pagamentos no país, reduzindo a dependência do dinheiro em espécie e dos cartões físicos. Essa curiosidade do brasileiro por novas ferramentas impulsionou produtos específicos, como o cartão de crédito com milhas da Revolut, que superou expectativas de mercado ao oferecer conversões agressivas com companhias aéreas como Qatar e Iberia.

A estratégia da empresa reflete uma mudança de paradigma: se antes o dinheiro parado em conta era uma fonte de receita para os bancos, o futuro aponta para uma gestão ativa e inteligente do capital. Ao resolver problemas práticos — como a dificuldade de dividir contas em restaurantes, um transtorno comum nos Estados Unidos que a empresa resolveu via aplicativo —, as instituições buscam se consolidar como parceiras estratégicas na vida financeira dos usuários.

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Fonte: seudinheiro.com