Após perder a eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas em um jato privado pertencente à empresa Baires Fly S.A.. A aeronave utilizada na viagem figura em investigações sobre um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que abalou a administração do presidente da Argentina, Javier Milei, resultando na queda de um importante aliado político no país vizinho.
detalhes da rota e o trajeto pelo continente
Registros da Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmam que o parlamentar ingressou em território argentino por via terrestre através da Ponte Internacional Tancredo Neves. O grupo cruzou a fronteira no final da noite de terça-feira (27), por volta das 22h50, conforme apontam os registros oficiais das autoridades locais.
Pouco depois, às 23h30, a família embarcou em um voo privado operado pela Baires Fly a bordo de um jato Gulfstream G400, com matrícula LV-JQW. O plano de voo indicava como destino inicial a cidade de Guayaquil, no Equador, de onde prosseguiram posteriormente em direção a Miami, nos Estados Unidos.
investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro
A companhia aérea envolvida no transporte é alvo de apurações judiciais na Argentina devido a suspeitas de desvio de verbas e ocultação de patrimônio ilícito na Andis, agência estatal responsável por diretrizes voltadas a pessoas com deficiência. O caso examina eventuais fraudes em licitações e contratos públicos firmados para a compra de medicamentos e insumos médicos essenciais.
Conforme apurado pelos investigadores do Infobae, empresas fornecedoras da autarquia repassavam quantias financeiras para a companhia de aviação. Em seguida, a empresa emitia faturas simulando a prestação de serviços aeronáuticos para justificar a entrada dos valores, prática que a justiça aponta como tentativa de conferir aparência legal a montantes obtidos de maneira irregular.
impacto político e repercussão no governo milei
O escândalo financeiro veio a público em 2025 e gerou forte crise institucional na Casa Rosada. O caso culminou na demissão de Diego Spagnuolo, que comandava a agência governamental e mantinha laços de proximidade com o presidente Javier Milei, tendo atuado anteriormente como advogado pessoal do chefe de Estado argentino.
A revelação de gravações contendo relatos sobre cobranças indevidas e esquemas de desvio no órgão federal intensificou a pressão política sobre a base governista. A utilização de uma aeronave ligada a investigados por corrupção em um país vizinho por parte de uma figura política brasileira acrescenta novos contornos internacionais ao caso.

