O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar a possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. A ordem de investigação tem como foco central o financiamento oculto de campanhas políticas e a atuação de atores externos com interesses econômicos e estratégicos no país.
A decisão foi tomada após provocação do Partido dos Trabalhadores (PT) em uma arguição de descumprimento de preceito fundamental movida originalmente pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Ao analisar os documentos, o ministro avaliou que as denúncias de interferência estrangeira exigem procedimentos próprios de investigação sob supervisão da Suprema Corte, alinhando-se aos alertas já emitidos por órgãos de inteligência nacional antes do pleito.
Suspeitas de financiamento externo e anúncios pagos
Entre os pontos centrais da investigação estão as suspeitas de que os executivos Tallis Gomes e Pedro Sang teriam atuado em nome da empresa Rockbridge Network para angariar recursos destinados à campanha do candidato Flávio Bolsonaro diretamente nos Estados Unidos. A apuração também deve examinar a veiculação remunerada de conteúdos eleitorais por perfis estrangeiros direcionados ao público brasileiro.
Esses anúncios continham dados favoráveis à vitória de Flávio Bolsonaro e faziam referência a plataformas de apostas como a Polymarket, que se encontra bloqueada no território nacional desde 2024. Uma representação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) detalhou o padrão dessas postagens pagas em língua portuguesa por contas de fora do país.
Atuação de gigantes de tecnologia e alertas da onu
O inquérito determinado por Flávio Dino também abrange suspeitas relacionadas à atuação da empresa Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp. O magistrado incorporou aos fundamentos da decisão um relatório publicado pelo Comitê de Supervisão da Meta que apontou falhas na garantia de integridade eleitoral durante o período de votação.
Além disso, o ministro destacou preocupações externadas por observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito de assimetrias no engajamento de campanhas, restrições algorítmicas e possíveis manipulações na distribuição de conteúdo político. Acesse a cobertura completa na Agência Brasil.
Conexão entre recursos minerais e apoio político
Outro aspecto de grande relevância determinado pelo STF envolve a apuração de denúncias sobre a suposta oferta de exploração de terras raras e minerais críticos no Brasil em troca de interferência estrangeira no pleito. O ministro frisou a necessidade de esclarecer eventuais contrapartidas econômicas oferecidas por agentes internacionais.
A investigação policial deverá esmiuçar cinco frentes principais, que incluem a natureza das tratativas entre os envolvidos, a origem financeira de publicidades estrangeiras pagas, o vínculo entre financiamento político e interesses mineiros, além de possíveis manipulações algorítmicas por empresas de internet para beneficiar ou prejudicar candidaturas.

