A Gerdau, gigante brasileira do setor siderúrgico, vive um momento de contraste estratégico. Embora a companhia mantenha um volume de produção de aço bastante equilibrado entre o Brasil e a América do Norte, a rentabilidade gerada em solo americano tem superado significativamente os resultados obtidos no mercado doméstico. Esse cenário tem levado investidores a enxergar a empresa sob uma nova ótica, questionando se o atual valor de mercado reflete sua real capacidade operacional.
Desempenho financeiro e a disparidade entre mercados
No primeiro trimestre, a operação norte-americana da siderúrgica gaúcha comercializou 1,28 milhão de toneladas de aço, gerando um EBITDA de R$ 2,25 bilhões. Em contrapartida, a operação brasileira, apesar de registrar um volume ligeiramente superior, com 1,32 milhão de toneladas, entregou um EBITDA de apenas R$ 578 milhões. Essa diferença acentuada de margens — 24,1% nos Estados Unidos contra 9,2% no Brasil — coloca a Gerdau em uma posição peculiar no mercado financeiro.
Atualmente, a companhia negocia a cerca de 4x EV/EBITDA, patamar que se situa no piso de sua média histórica. Em comparação, siderúrgicas puramente americanas costumam ser precificadas próximas a 7,5x. Essa discrepância sugere que, embora o mercado reconheça a força da Gerdau no exterior, o valuation ainda não acompanhou a transformação da empresa em uma peça-chave do ciclo de investimentos dos Estados Unidos.
O papel da infraestrutura e da inteligência artificial
O sucesso da Gerdau nos Estados Unidos não é fruto do acaso, mas de uma demanda aquecida por setores estratégicos. Investimentos robustos em infraestrutura, a modernização de redes elétricas e a construção acelerada de data centers para atender à crescente demanda por inteligência artificial têm impulsionado o consumo de aço. Analistas do mercado financeiro, como Lucas Laghi, da XP, comparam esse momento à corrida do ouro: “Na corrida do ouro, ganhou dinheiro quem vendia pá. A pá, nesse caso, é transformador, cobre, aço e chip”.
Essa demanda incremental permite que a companhia mantenha preços elevados mesmo sem uma aceleração generalizada da economia americana. O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, reforçou em recente conferência de resultados que o backlog — a carteira de pedidos — segue firme. A expectativa é que a construção de novos centros de processamento de dados continue sustentando uma demanda significativa por aço nos próximos anos.
Proteção comercial e perspectivas de futuro
Além da demanda, a proteção tarifária desempenha um papel crucial. As tarifas de 50% impostas pelo governo americano sobre importações de aço garantem um ambiente de menor concorrência externa para a produção local. Relatórios do BTG Pactual, liderados por Leonardo Correa, indicam que, apesar de novas movimentações comerciais, as condições para o aço permanecem estáveis, consolidando a Gerdau como um dos ativos mais resilientes do setor.
O mercado agora projeta que a normalização das margens, antes esperada para ocorrer de forma rápida, deve ser mais lenta e menos intensa do que se previa inicialmente. Com bancos como Citi e UBS BB revisando suas estimativas para cima, a Gerdau se posiciona como um refúgio de valor. Para acompanhar as próximas movimentações da companhia e as análises sobre o setor industrial, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de informação relevante e contextualizada.
Fonte: braziljournal.com
