Governo articula votação acelerada para o fim da escala 6x1 no Senado

Governo articula votação acelerada para o fim da escala 6×1 no Senado

Política

Em uma movimentação estratégica nos bastidores de Brasília, senadores governistas buscam formas de acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da jornada de trabalho na escala 6×1. A iniciativa surge logo após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar o tema para discussão no plenário da Casa, sinalizando um avanço nas negociações sobre a pauta trabalhista.

Estratégia para contornar prazos regimentais

O principal obstáculo para uma votação célere reside no rito legislativo das PECs, que exige um intervalo obrigatório entre as sessões de discussão. Atualmente, o regimento interno impõe a realização de cinco sessões para a votação em primeiro turno e outras cinco para o segundo turno. Para contornar essa demora, parlamentares aliados ao governo articulam a apresentação de um requerimento de quebra de interstício.

A manobra visa suprimir os intervalos regimentais, permitindo que a proposta seja votada em um período mais curto. Sem essa medida, o calendário legislativo torna-se apertado, o que, segundo avaliações internas, colocaria em risco a aprovação da matéria antes do segundo turno das eleições, um prazo considerado estratégico pela base governista.

Cálculo político e pressão popular

A articulação reflete a tentativa de fortalecer a imagem do presidente Lula (PT) no cenário político nacional, especialmente em um momento de polarização eleitoral. Nos bastidores, a base governista projeta que, devido à alta popularidade da pauta entre os trabalhadores, mesmo parlamentares da oposição teriam dificuldades em se posicionar contra o texto, sob risco de desgaste direto com o eleitorado.

Apesar do otimismo, há cautela sobre o comportamento dos congressistas após o pleito. A avaliação é de que, uma vez encerrada a votação para deputados e senadores, o nível de pressão popular sobre os parlamentares pode diminuir, tornando o ambiente legislativo menos favorável a mudanças estruturais nas leis trabalhistas. Por isso, a celeridade é vista como o caminho mais seguro para garantir a vitória da proposta.

O papel da presidência do Senado

A condução de Davi Alcolumbre tem sido observada de perto por todos os blocos partidários. A expectativa dos governistas é contar com o apoio do presidente do Senado para viabilizar a tramitação acelerada. A postura de Alcolumbre, que detém o poder de pauta, é considerada um fator determinante para que o projeto não perca tração durante as discussões em plenário.

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Fonte: redir.folha.com.br