A onda azul nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos transformou o prolongamento da guerra do país contra o Irã no Oriente Médio em uma incógnita central para a economia global. O Partido Democrata, que levou a maioria da Câmara dos Representantes e do Senado, além de importantes Estados como o Texas, pretende apresentar medidas para exigir que o presidente Donald Trump encerre as operações militares na região ou solicite autorização do Congresso para mantê-las.
Até mesmo o presidente Trump reconheceu que o conflito em apoio a Israel, iniciado em fevereiro deste ano, teve influência na derrota esmagadora de seu partido, o Republicano, nas eleições encerradas na última terça-feira (3). O revés político interno coloca o futuro das operações militares sob forte pressão institucional e muda o panorama energético internacional.
Impacto nas projeções do petróleo e prêmio de risco
Em meio à incerteza política, o Itaú BBA elevou as projeções para o petróleo no curto e no médio prazo. O banco espera que o barril do tipo Brent, referência mundial de preço para a commodity, encerre este ano a US$ 100, US$ 20 a mais do que a estimativa anterior. A cotação deve seguir no mesmo nível durante o primeiro semestre de 2027.
Para a equipe de macroeconomia liderada por Diogo Guillen, não há evidência de uma resolução rápida para o conflito no Oriente Médio que fundamente uma queda dos preços no curto prazo. Isso justifica a expectativa de manutenção de um prêmio de risco geopolítico elevado por mais tempo, sobrepondo-se aos fundamentos estruturais de excesso de oferta. Além disso, o salto nos custos de frete e seguro combinados com as restrições persistentes na oferta de derivados sustentam o barril ao redor de US$ 100.
Nesta quinta-feira (5), os preços do petróleo operam em alta, em ajuste após a derrocada de quase 9% na véspera. O contrato do Brent negociado para janeiro encerrou as negociações com avanço de 2,72%, a US$ 90,52 o barril, na Intercontinental Exchange, em Londres. Já na New York Mercantile Exchange, nos EUA, o contrato do WTI para novembro subiu 3,88%, a US$ 98,29 o barril.
Projeções de bancos e cenários para o Brent até US$ 140
O Goldman Sachs calcula que o Brent pode alcançar US$ 140 até dezembro deste ano e registrar média próxima de US$ 130 por barril em 2027, em um cenário de intensificação dos ataques a embarcações e danos à infraestrutura petrolífera. O cenário-base do banco, porém, é de barril do Brent a US$ 150 para dezembro deste ano, em atualização feita na última terça-feira (3). Para 2027, a projeção subiu de US$ 80 para US$ 88 por barril.
No caso do West Texas Intermediate, referência para o mercado norte-americano, o banco manteve a projeção de US$ 94 por barril em dezembro deste ano e elevou de US$ 73 para US$ 78 no fim de 2027. Na visão de Neil Sheiring, economista-chefe da Capital Economics, uma eventual escalada dos ataques entre EUA e Irã levaria a novos aumentos dos preços globais da energia, podendo fazer o petróleo Brent ultrapassar os US$ 120 por barril.
Caminhos diplomáticos e incertezas sobre o fim do conflito
Para analistas do mercado, com Trump mais enfraquecido internamente nos últimos dois anos de mandato, o republicano deve concentrar forças na política externa. Na avaliação da Eurasia Group, uma derrota nas urnas tende a levar Trump a redobrar sua agenda externa, e não a recuar, mesmo diante de um Congresso de maioria democrata.
A Capital Economics avalia que é possível que Trump busque recuar, com o recente aumento da atividade diplomática oferecendo uma possível saída. June Goh, analista sênior de petróleo da Sparta Commodities, destaca que os mercados estão avaliando o impacto das eleições de meio de mandato nos próximos passos de Donald Trump em relação à guerra com o Irã. No entanto, ela ressalta que haverá mais volatilidade pela frente, já que o caminho para uma diplomacia plena ainda está repleto de incógnitas e as reservas estratégicas globais continuam reduzidas.

