RS registra queda de até 84% nos roubos de veículos em oito anos, aponta balanço do governo

RS registra queda de até 84% nos roubos de veículos em oito anos, aponta balanço do governo

Rio Grande do Sul

Investimentos de R$ 2,48 bilhões, renovação das frotas policiais e ampliação do sistema prisional estão entre as medidas apresentadas pelo Estado. Feminicídios e violência digital seguem como desafios.

O Rio Grande do Sul apresentou uma redução expressiva nos principais indicadores de criminalidade entre 2019 e 2025. Os dados divulgados pelo governo estadual em 3 de novembro mostram quedas nos homicídios, roubos de veículos e assaltos a pedestres, além de investimentos bilionários na estrutura das forças de segurança. O balanço integra a série de documentos apresentados durante o processo de transição entre o governador Eduardo Leite e o governador eleito Luciano Zucco.

Um dos resultados mais expressivos está nos crimes patrimoniais. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os roubos de veículos diminuíram 84% no período, passando de 11.127 registros em 2019 para 1.790 em 2025. Os roubos a pedestres também recuaram 76%, de 53.393 para 12.573 ocorrências.

Nos crimes contra a vida, o número de vítimas de homicídio doloso caiu 44%, passando de 1.860 para 1.037. Os crimes violentos letais e intencionais (CVLI) tiveram redução de 40%, enquanto os latrocínios, que envolvem roubo seguido de morte, diminuíram 57%. Já os feminicídios passaram de 97 para 80 vítimas, uma queda de 17%.

Outro indicador destacado pelo governo é a segurança relacionada aos aparelhos celulares. Conforme os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública citados pela administração estadual, o Rio Grande do Sul apresentou, pelo segundo ano consecutivo, a menor taxa nacional de roubos de celulares. Em 2025, foram 21,7 registros por 100 mil habitantes, diante de uma taxa nacional de 144,7.
Investimentos e estrutura das forças policiais
A redução dos indicadores foi acompanhada, segundo o governo, pela ampliação da estrutura operacional das forças de segurança. Desde 2019, foram destinados mais de R$ 2,48 bilhões para obras, equipamentos e aquisição de veículos. Até o encerramento de 2026, a previsão é de mais R$ 475,9 milhões em investimentos.

No período, as forças estaduais receberam 5.106 viaturas, 173 embarcações e dez aeronaves, além de equipamentos especializados. A Brigada Militar incorporou 3.347 veículos. Outra mudança destacada é a adoção de proteção balística nos novos veículos policiais desde 2021.

O efetivo também foi ampliado. Brigada Militar, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias e Corpo de Bombeiros receberam 1.531 novos servidores ao longo dos oito anos, dentro da política de reposição de profissionais.

Entre os investimentos tecnológicos está a expansão da radiocomunicação digital, com aporte de R$ 112,9 milhões e previsão de atendimento a 145 municípios até o final de 2026. O sistema busca melhorar a comunicação entre as equipes e ampliar a segurança das informações transmitidas.
Violência contra a mulher exige atenção
Apesar da redução geral dos indicadores apresentados, a violência contra a mulher permanece como uma das questões mais sensíveis da segurança pública gaúcha.

O governo destaca a ampliação do Programa de Monitoramento do Agressor, implantado em 2023. A iniciativa utiliza tornozeleiras eletrônicas nos agressores e dispositivos de localização fornecidos às vítimas, permitindo o acompanhamento em tempo real de eventuais aproximações indevidas.

Segundo o balanço estadual, aproximadamente 3,8 mil mulheres já passaram pelo programa. Em outubro de 2026, 1.658 agressores estavam sendo monitorados. O Estado também informou estar em processo de contratação de mais 3 mil conjuntos de equipamentos, com investimento previsto de R$ 26 milhões.

Outra iniciativa é o desenvolvimento de um modelo preditivo de análise de risco para violência doméstica, elaborado em parceria com a London School of Economics e a Procergs. A ferramenta utiliza 1.331 variáveis para identificar situações de maior risco de reincidência de agressões graves.
Sistema prisional e combate aos crimes digitais
O sistema prisional também aparece entre os principais eixos dos investimentos. O Rio Grande do Sul ultrapassou 57 mil pessoas privadas de liberdade em 2026 e conta com 113 estabelecimentos prisionais.

Desde 2019, o governo informa ter ampliado a capacidade do sistema com novas unidades, reformas e requalificações. A projeção apresentada é alcançar 11.626 novas vagas ao final de 2026, considerando as obras realizadas e previstas.

Em Porto Alegre, a requalificação da Cadeia Pública, antigo Presídio Central, recebeu R$ 140,9 milhões e disponibilizou 1.884 vagas em novos módulos de vivência.

Outro desafio crescente é a criminalidade digital. Em 2025, foi criado o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, estrutura especializada na investigação de golpes virtuais e delitos envolvendo inteligência artificial.
O RS entre os estados mais seguros
O balanço também destaca a posição do Rio Grande do Sul no Ranking de Competitividade dos Estados de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Segundo o governo, o Estado ocupa a segunda colocação entre as unidades da Federação no indicador de segurança pública, depois de ter figurado na oitava posição em 2018.

O ranking considera diferentes indicadores para avaliar o desempenho dos estados. A metodologia contempla dez pilares de competitividade, entre eles segurança pública, educação, infraestrutura e sustentabilidade social. Portanto, a posição no levantamento representa uma avaliação comparativa e não significa ausência de problemas relacionados à criminalidade.
Clp+1

Desafio para a próxima gestão
Os números apresentados pelo governo indicam avanços importantes na estrutura de segurança pública e na redução de diferentes modalidades de crimes. Entretanto, a continuidade dos resultados dependerá da manutenção dos investimentos, da capacidade de reposição dos efetivos e do fortalecimento das políticas preventivas.

A violência doméstica, os feminicídios, os golpes digitais e a reincidência criminal permanecem entre os desafios que exigem atenção permanente do poder público.

Com a transição administrativa em andamento, a segurança pública passa a integrar a agenda de prioridades do próximo governo. A questão central será preservar os resultados alcançados e avançar em áreas nas quais os indicadores ainda demonstram necessidade de melhorias.

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