A icônica marca brasileira Havaianas, sinônimo de chinelos de borracha acessíveis em todo o mundo, surpreendeu o mercado ao apresentar um modelo inusitado durante a Copenhagen Fashion Week. O lançamento de um chinelo de dedo com salto, no estilo kitten heel, gerou debates imediatos nas redes sociais sobre estética e funcionalidade. Contudo, para além da polêmica visual, o produto é uma peça-chave na estratégia de reposicionamento da companhia no mercado internacional.
O modelo, exibido nos pés das modelos durante o desfile da Studio Constance’s, integra o projeto Taking New Heights. O objetivo central é elevar a percepção da marca, transformando um item de uso cotidiano e popular em um acessório de moda aspiracional, capaz de competir em um segmento de maior valor agregado fora do Brasil.
A transição do produto popular para o item de desejo
Historicamente, a Havaianas construiu seu império sobre a base da democratização do calçado, focando em volume de vendas e acessibilidade. No entanto, o crescimento sustentável a longo prazo exige que a empresa busque margens maiores. A estratégia atual, portanto, foca em aproximar a marca do universo do luxo e do design autoral, distanciando-se da imagem de produto puramente funcional.
Essa mudança de rota não é recente. Nos últimos anos, a empresa intensificou parcerias com estilistas renomados, como a colaboração com a francesa Isabel Marant, cujos modelos chegaram a custar até R$ 500. A lógica é espelhar o sucesso de marcas como a Birkenstock, que reconfigurou a percepção de seus calçados ortopédicos para torná-los itens indispensáveis no guarda-roupa de fashionistas ao redor do globo.
Desempenho financeiro e a expansão internacional
Os números recentes sugerem que a aposta em um posicionamento mais sofisticado está gerando resultados concretos. No quarto trimestre de 2025, a Alpargatas, controladora da marca, reportou um lucro líquido recorde de R$ 197,3 milhões. O destaque ficou por conta da operação internacional, que registrou um crescimento de 45,3% na receita, atingindo R$ 184,3 milhões.
Enquanto o mercado brasileiro continua sendo o pilar de sustentação, com vendas que superaram R$ 1 bilhão em um único trimestre, a expansão externa é o motor que a companhia utiliza para justificar o aumento do valor da marca. A presença em eventos de moda de alto nível é fundamental para consolidar essa nova identidade perante o consumidor estrangeiro.
O papel estratégico de Copenhague no calendário da moda
A escolha da Copenhagen Fashion Week como palco para o novo chinelo de salto não foi aleatória. A capital dinamarquesa consolidou-se como um termômetro global de tendências, atraindo um público que valoriza a inovação e o design disruptivo, muitas vezes mais do que a tradição das passarelas de Paris ou Milão. Ao apostar em um modelo que desafia o senso comum, a Havaianas busca validar sua capacidade de reinvenção.
Segundo Maria Fernanda Albuquerque, CMO global da Havaianas, o novo design mantém a essência da marca — a leveza e a autenticidade brasileira — enquanto explora novas perspectivas estruturais, como o salto elíptico e a biqueira marcante. Embora a empresa ainda não tenha divulgado a data de lançamento comercial ou o preço final, o movimento já cumpriu seu papel de colocar a marca no centro das discussões globais de estilo. Para acompanhar os próximos passos dessa transformação e outras análises sobre o mercado e comportamento, continue conectado ao Conexrs, seu portal de informação relevante e atualizada.
Fonte: seudinheiro.com
