Homem confessa duplo homicídio de ex-sogro e ex-cunhado em Chuvisca

Homem confessa duplo homicídio de ex-sogro e ex-cunhado em Chuvisca

Rio Grande do Sul

Um crime bárbaro chocou a comunidade de Chuvisca, na zona rural do Rio Grande do Sul, a cerca de 150 km de Porto Alegre. Na manhã de sexta-feira (9), Fábio Bierhals Tavares, de 29 anos, entrou em contato com o serviço de emergência 190 da Brigada Militar para confessar o assassinato de seu ex-sogro, Arnildo Schmegel Klumb, de 56 anos, e de seu ex-cunhado, Davi Artur Klug Klumb, de 17 anos. Ao chegarem à residência indicada, os policiais encontraram os corpos das vítimas, que apresentavam marcas de disparos de arma de fogo.

A dinâmica do crime e a prisão do suspeito

Após o telefonema, as autoridades agiram rapidamente e localizaram o suspeito pouco tempo depois. Fábio Bierhals Tavares foi preso em flagrante. Com ele, os agentes da Polícia Civil apreenderam objetos pertencentes às vítimas, incluindo um aparelho celular, além de uma munição intacta de calibre .38. Em depoimento inicial, o homem admitiu ter fugido do local do crime utilizando o veículo de um dos falecidos, o qual foi posteriormente abandonado na casa de um familiar.

Na cena do crime, os peritos recolheram um projétil deflagrado e uma espingarda, elementos que serão fundamentais para a continuidade das investigações. A prisão em flagrante do suspeito foi convertida em preventiva pela Justiça, após manifestação favorável do Ministério Público, garantindo que ele permaneça detido enquanto o inquérito avança.

Investigação sobre a hipótese de vicaricídio

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime possa ser classificado como vicaricídio. Esse conceito jurídico, introduzido pela Lei nº 15.384, de 9 de abril de 2026, refere-se ao homicídio cometido contra pessoas próximas a uma mulher com o objetivo de causar sofrimento, punição ou exercer controle no contexto de violência doméstica. Como não foram identificados conflitos diretos entre o autor e as vítimas, a polícia apura se o alvo principal seria, na verdade, a ex-companheira do suspeito.

O crime de vicaricídio é considerado hediondo, com pena prevista de 20 a 40 anos de reclusão. A tipificação final, contudo, dependerá do encerramento das perícias e da coleta de novos depoimentos. Para mais detalhes sobre a legislação, consulte o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

Impacto familiar e medidas de proteção

A ex-companheira do suspeito, uma jovem de 22 anos que perdeu o pai e o irmão no episódio, presta depoimento nesta terça-feira (13) na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Camaquã. A defesa da jovem, representada pela advogada Mikaela Schuch, ressalta que a família já vinha sofrendo ameaças, o que obrigou a mulher e sua mãe — aposentada por invalidez — a abandonarem a própria residência.

A advogada pretende reforçar os pedidos de medidas protetivas e levanta a possibilidade de que o crime tenha contado com uma logística que sugere a participação de outros envolvidos. Além do trauma emocional, a família, que sobrevive do cultivo de fumo, enfrenta dificuldades financeiras severas e organiza uma mobilização para arcar com os custos funerários de Arnildo e Davi.

O ConexRS segue acompanhando o desdobramento deste caso, mantendo o compromisso de levar aos leitores informações apuradas e relevantes sobre os fatos que marcam o cotidiano gaúcho. Continue conosco para atualizações sobre esta investigação e outros temas de interesse público.

Fonte: g1.globo.com