Conflitos internos e prejuízos marcam lançamento de ativo digital
O lançamento da criptomoeda B22, que utilizava a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) como pilar de sua estratégia de marketing, transformou-se em um cenário de tensões e cobranças entre seus idealizadores e investidores. Desde a estreia do ativo, na última terça-feira (6), grupos de mensagens têm sido palco de discussões acaloradas motivadas pela rápida desvalorização do token no mercado.
Kevim Flores, um dos principais articuladores do projeto, tem utilizado o WhatsApp para pressionar os detentores do ativo a manterem suas posições e sustentarem o preço. Em mensagens que demonstram a volatilidade do negócio, Flores chegou a classificar os investidores que optaram pela venda como “frouxos”, atribuindo a queda da cotação a uma suposta influência de opositores políticos.
Estratégia de marketing e a polêmica parceria com Uganda
O projeto B22 foi classificado como uma memecoin, modalidade de criptoativo que ganha tração através de tendências virais. A estratégia central envolvia a distribuição de tokens para usuários que compartilhassem conteúdos de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Além disso, o site oficial do projeto prometia destinar parte dos recursos para o grupo Hypers Kids Africa, uma organização de Uganda que acumula milhões de seguidores nas redes sociais.
A associação, contudo, gerou repercussão negativa imediata. Após a exposição do caso, o grupo de Uganda emitiu um pedido de desculpas ao público brasileiro, declarando que não desejava envolvimento com partidos políticos. A organização afirmou que devolveria os 120 milhões de tokens recebidos e encerrou a parceria, frustrando os planos dos idealizadores do token, que chegaram a cogitar a substituição da entidade por outro grupo de assistência social.
Repercussão jurídica e mudanças no discurso
O caso ultrapassou o ambiente digital e alcançou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha do presidente Lula (PT) protocolou uma ação de investigação judicial eleitoral contra Flávio Bolsonaro, alegando abuso de poder econômico. O pedido incluía o bloqueio do site do token e a proibição de recompensas financeiras em troca de propaganda eleitoral.
Diante da pressão jurídica e da repercussão pública, a ministra Estela Aranha determinou a derrubada do site oficial do B22 na última sexta-feira (9). Em resposta, os responsáveis pelo projeto anunciaram uma mudança radical na comunicação: a suspensão de qualquer pedido de voto ou remuneração por compartilhamentos políticos. O site passou a adotar um discurso focado exclusivamente em causas sociais até o dia 25 de outubro, em uma tentativa de conter os danos à imagem do ativo.
A assessoria de Flávio Bolsonaro negou qualquer relação oficial com a página ou com a venda das criptomoedas, informando que medidas judiciais estão sendo tomadas para tratar do uso indevido do nome do parlamentar. O episódio ilustra os riscos envolvidos em ativos digitais que tentam capitalizar sobre o acirramento do debate político brasileiro.
O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os impactos das novas tecnologias no cenário eleitoral. Para se manter informado sobre política, economia e tecnologia com profundidade e credibilidade, continue acompanhando nossas atualizações diárias.
Fonte: redir.folha.com.br

